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Crise na PortosRio expõe disputa interna sobre compra de imóvel em São João da Barra

Foto: Reprodução – Porto do Açu

Uma crise institucional atingiu a cúpula técnica da PortosRio após a rejeição interna à compra de um imóvel avaliado em R$ 20,49 milhões, no município de São João da Barra, no Norte Fluminense. A sequência de exonerações e pedidos de desligamento começou depois que a área responsável por planejamento e novos negócios concluiu que a aquisição da chamada Fazenda Angelim seria financeiramente e estrategicamente inviável para a estatal portuária. As informações são do portal Amado Mundo.

O parecer técnico foi assinado por Eduardo Correia Miguez, então superintendente da área responsável pela análise. Menos de 24 horas depois, ele foi destituído do cargo. Na sequência, Thiago Barbieri Fonseca de Oliveira, substituto imediato da superintendência, pediu dispensa de suas funções apenas 41 minutos após a publicação da saída de Miguez. No mesmo dia, ele também renunciou ao cargo de conselheiro no Conselho de Administração da companhia, o CONSAD.

A proposta de compra não teria partido de edital ou de demanda técnica prévia da estatal. Segundo informações do processo, a oferta foi feita diretamente pelo proprietário particular Ari Pessanha Monteiro ao Gabinete da Presidência da PortosRio, que abriu o procedimento e determinou a avaliação da área pelas equipes técnicas.

Parecer apontou prejuízo no projeto

O documento que detonou a crise foi concluído no dia 19 de maio pela Superintendência de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios. O parecer se baseou no Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental, elaborado pela consultoria terceirizada Pier 3.

A conclusão foi dura para a proposta. O relatório apontou que o fluxo de caixa operacional do projeto não seria suficiente para pagar o investimento inicial de R$ 20,49 milhões. Na prática, a compra poderia gerar prejuízo financeiro para a estatal.

Outro ponto sensível foi o baixo aproveitamento da área. O estudo indicou que, por dificuldade de identificar demanda comercial na região, o projeto usaria apenas 66 mil metros quadrados do terreno. Isso representa cerca de 11% da área total da fazenda, que tem 580.121 metros quadrados. Os outros 89% ficariam ociosos.

Risco de concorrência com o Porto do Açu

O parecer também alertou para o risco de concorrência direta com o Porto do Açu, empreendimento privado vizinho, com infraestrutura consolidada e maior flexibilidade contratual.

Segundo o relatório técnico, essa concorrência poderia comprometer a operação planejada pela estatal. “O concorrente poderia impor restrições de acesso e inviabilizar o negócio da estatal”, apontou o parecer técnico da Superintendência de Planejamento e Desenvolvimento de Negócios da PortosRio.

Apesar dos alertas, a Diretoria Executiva da PortosRio, a DIREXE, já havia aprovado formalmente a aquisição em reunião realizada no dia 27 de março de 2026. Na ata, o colegiado aprovou o negócio sob a condição de aprofundar os estudos de viabilidade depois. Esses estudos, concluídos em maio pela equipe técnica posteriormente dispensada, acabaram rejeitando a compra.

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