
Você sabe quem governa o Rio de Janeiro hoje? Escrevo essa coluna até com certo receio de que amanhã ela já fique até desatualizada, diante da velocidade e de tantos acontecimentos políticos que vem se amontoando nessas semanas históricas na política fluminense. No fundo, a questão perturbadora que ronda de verdade é: há governo no Rio?
A resposta deveria ser simples, né? Hoje, a incerteza é o retrato do caos político que se instalou no nosso estado. Em março de 2026, vivemos mais um capítulo vergonhoso de uma crise que não começou agora, mas que se arrasta há décadas sob a condução das mesmas forças políticas. E não é coincidência, é projeto e dos mais danosos possíveis aos cidadãos do Rio de Janeiro.
Estamos assistindo a uma sequência de acontecimentos que escancaram o nível de degradação institucional. Tivemos um governador chamado Cláudio Castro, que caiu de paraquedas na política e teve uma gestão tenebrosa, renunciando para tentar escapar do julgamento e terminando inelegível por decisão da Justiça. Em seguida, aliados que, em uma manobra apressada e golpista, tentam assumir o controle do estado por meio de uma eleição irregular. E, logo depois, a própria Justiça anula essa tentativa. É o verdadeiro “vale tudo” pelo poder, com direito a tramóias e quebras de acordos e regimentos. E quem está no meio disso tudo? O povo, que segue sem respostas, sem estabilidade e sem qualquer respeito. Você, eleitor, está disposto a pagar mais essa conta?
Esse cenário não pode ser analisado fora da história, que tem seus ciclos e curiosas coincidências. Estamos completando nesta semana 62 anos do golpe militar de 1964, um marco sombrio que nos lembra o quanto a democracia é frágil e o quanto ela é valiosa, custa caro. Cada vez que se tenta driblar a vontade popular, cada vez que se articula um atalho para o poder, vemos o flerte com práticas autoritárias que o Brasil já conhece bem. A democracia é fundamental para a construção de um futuro digno, não é mero acessório político.
No Rio de Janeiro, há um padrão que precisa ser escancarado. Nos últimos 30 anos, praticamente todos os governadores eleitos foram presos, cassados ou sofreram impeachment. A exceção que honra a nossa história é Benedita da Silva, mulher negra, oriunda da favela, símbolo de integridade e compromisso público, e uma referência para quem acredita na política como instrumento de transformação. Tenho muito orgulho de, assim como Benedita, ser de esquerda e lutar pelos direitos humanos. Os que foram presos, todos eles, são representantes da direita. Não é obra do acaso. É um modelo de poder que combina corrupção, abandono das políticas públicas e uma lógica de governo que penaliza, diariamente, a população mais pobre. O que falta de água, saúde, transporte digno, sobra em violência e desigualdade. Estamos falando de escolhas políticas feitas por gente mesquinha que não pensa no bem estar da população e faz discursos pró-vida, mas governam mesmo para poucos.
Não há saída que não passe pela decisão popular. Afinal, quem sofre com todos os desmandos dos piores governantes que esse estado já teve é a própria população. E é ela quem tem o poder de reescrever essa história. Defender eleições diretas neste momento não é apenas uma posição política, é uma obrigação democrática. O Rio de Janeiro precisa romper esse ciclo de irresponsabilidade, corrupção, má gestão e conchavos que sequestram o estado há anos. É hora de pressionarmos mais uma vez por DIRETAS JÁ! Precisamos votar com consciência, de acompanhar, cobrar e não aceitar mais o mesmo projeto de poder que nos trouxe até aqui.
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