O deputado federal Daniel Soranz (PSD), candidato à reeleição pelo número 5588, afirmou que o Governo do Estado do Rio acumula uma dívida de aproximadamente R$ 2 bilhões com a saúde dos municípios fluminenses. Durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO, o parlamentar também acusou a administração estadual de utilizar critérios políticos na distribuição de recursos e na gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Médico de família, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e ex-secretário municipal de Saúde do Rio, Soranz criticou o baixo investimento realizado pelo Estado no setor. Segundo ele, enquanto a Prefeitura do Rio investe mais de R$ 1,5 mil por habitante, o governo estadual aplica cerca de R$ 430 por morador.
— O Estado deve quase R$ 2 bilhões para a saúde dos municípios. É um volume muito grande de recursos que deveria estar financiando hospitais, postos de saúde, exames e atendimentos — afirmou Daniel Soranz.
Estado investe apenas o mínimo constitucional
De acordo com Soranz, o Governo do Rio limita os gastos com saúde ao percentual mínimo determinado pela Constituição, apesar da crise enfrentada pela rede pública e das dificuldades financeiras dos municípios.
O deputado argumentou que as prefeituras passaram a assumir responsabilidades que deveriam ser compartilhadas com o Estado. Na avaliação dele, o resultado é uma rede desigual, na qual o acesso aos serviços depende da capacidade financeira de cada município.
— Hoje, o Estado gasta cerca de R$ 430 por habitante e fica praticamente no mínimo constitucional. É muito pouco para um estado com os problemas e a complexidade do Rio de Janeiro — declarou.
O parlamentar defendeu a adoção de critérios técnicos e transparentes para calcular os repasses, considerando fatores como população, número de atendimentos, capacidade instalada e necessidades epidemiológicas.
Soranz acusa governo de favorecer aliados
Daniel Soranz também acusou a administração estadual de distribuir recursos e entregar a gestão de unidades de saúde conforme interesses políticos.
Segundo o candidato, algumas UPAs são administradas por organizações sociais ligadas a grupos de deputados e vereadores. Para ele, essa influência prejudica o planejamento da rede e transforma unidades públicas em instrumentos de articulação eleitoral.
— A saúde não pode ser distribuída por critério político. Não pode ter UPA na mão de grupo de deputado ou vereador. O recurso precisa chegar onde a população mais necessita — criticou.
O ex-secretário afirmou que a interferência política também compromete a continuidade dos serviços. Mudanças nas alianças partidárias, segundo ele, podem provocar alterações na administração das unidades, nas organizações contratadas e até nas equipes responsáveis pelo atendimento.
Soranz defendeu que os contratos com organizações sociais sejam acompanhados por metas públicas, indicadores de qualidade, auditorias permanentes e mecanismos que permitam à população conhecer os valores gastos e os resultados apresentados.
Hospital da Mãe, em São Gonçalo
A paralisação das obras do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, também foi mencionada pelo candidato como exemplo da falta de prioridade do Governo do Estado.
O projeto prevê a construção de uma unidade voltada à saúde materno-infantil em um dos municípios mais populosos do Rio de Janeiro. Para Soranz, a demora representa um prejuízo para as mulheres de São Gonçalo e de outras cidades da Região Metropolitana.
O parlamentar argumentou que a retomada das obras precisa estar acompanhada de um planejamento para o custeio permanente do hospital. Segundo ele, não basta construir uma unidade sem garantir profissionais, equipamentos, medicamentos e recursos para o funcionamento diário.
Canetas emagrecedoras no SUS
Durante a entrevista, Daniel Soranz voltou a defender a oferta das chamadas canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde. Os medicamentos são utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, mas ainda possuem custos elevados para grande parte da população.
O candidato argumentou que a obesidade precisa ser tratada como uma doença crônica, associada ao aumento dos casos de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas ortopédicos e alguns tipos de câncer.
— Obesidade é doença e precisa ser tratada no SUS. Não pode ser uma opção apenas para quem tem dinheiro para comprar o medicamento — defendeu.
Segundo Soranz, a incorporação das canetas à rede pública deverá seguir protocolos clínicos, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico. O deputado ressaltou que os medicamentos não substituem políticas de alimentação saudável e prática de atividades físicas, mas podem ajudar pacientes com indicação clínica.
O ex-secretário afirmou que a redução dos preços, a produção nacional e a negociação de compras em grande escala podem tornar o tratamento acessível ao sistema público.
Marketplace pode economizar R$ 8 bilhões ao SUS
Entre as propostas apresentadas pelo deputado está a criação de um marketplace nacional para as compras públicas realizadas pelo SUS.
O modelo funcionaria como uma plataforma unificada para a aquisição de medicamentos, materiais hospitalares, equipamentos e outros produtos utilizados pelas unidades de saúde. A ferramenta permitiria comparar preços, ampliar a concorrência e reduzir o tempo gasto com processos burocráticos.
De acordo com Soranz, a proposta pode gerar uma economia anual de aproximadamente R$ 8 bilhões.
— A expectativa é economizar cerca de R$ 8 bilhões por ano. É dinheiro que pode voltar para a assistência, para os hospitais, para os medicamentos e para o atendimento da população — afirmou.
O parlamentar disse que atualmente um mesmo produto pode ser comprado por preços muito diferentes em municípios vizinhos. Com a plataforma, os gestores poderiam consultar valores praticados em outras localidades e aderir a processos já realizados por órgãos públicos.
Para Soranz, a mudança também ajudaria pequenas prefeituras, que não possuem equipes técnicas numerosas para conduzir licitações complexas.
Clínicas da Família e atenção primária
Ex-secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz apontou a expansão das Clínicas da Família como uma das principais marcas de sua passagem pela Prefeitura do Rio.
O modelo é baseado na atenção primária, com equipes responsáveis pelo acompanhamento permanente dos moradores de uma determinada região. Médicos, enfermeiros, técnicos e agentes comunitários atuam na prevenção de doenças, no controle de condições crônicas, na vacinação e no diagnóstico precoce.
Soranz afirmou que uma rede de atenção primária fortalecida reduz a procura desnecessária por emergências e evita internações hospitalares.
— A Clínica da Família conhece o paciente, acompanha a gestante, controla a hipertensão, cuida do diabetes e consegue identificar o problema antes que ele se transforme em uma emergência — explicou.
O candidato defendeu a expansão do modelo para todo o Estado do Rio, respeitando as características de cada município e com participação financeira do governo estadual.
Super Centros e filas do Sisreg
Daniel Soranz também destacou a criação dos Super Centros Cariocas de Saúde, voltados à realização de consultas, exames e procedimentos especializados.
Segundo o ex-secretário, as unidades permitiram ampliar a oferta de serviços e reduzir filas do Sistema de Regulação, o Sisreg. O modelo reúne diferentes especialidades em um mesmo espaço e busca aproveitar os equipamentos durante mais horas do dia, inclusive aos fins de semana.
O deputado afirmou que a redução das filas depende da combinação entre atenção primária, ampliação da oferta e acompanhamento permanente da produtividade das unidades.
Para Soranz, o sistema também precisa informar ao paciente sua posição na fila, a unidade responsável pelo atendimento e o prazo estimado para a realização do procedimento.
Críticas à gestão de Marcelo Crivella
O candidato fez críticas à administração do ex-prefeito Marcelo Crivella, que comandou a cidade entre 2017 e 2020.
Segundo Soranz, a gestão deixou uma dívida bilionária na saúde, salários atrasados, contratos sem cobertura financeira e unidades com problemas de funcionamento.
O deputado mencionou ainda os contratos relacionados ao hospital de campanha instalado no Riocentro durante a pandemia da Covid-19. A estrutura foi alvo de questionamentos e investigações sobre custos, contratos e serviços que não teriam sido entregues integralmente.
Para Soranz, a reconstrução da rede municipal a partir de 2021 exigiu a regularização dos pagamentos, a reabertura de serviços e a recuperação da confiança dos profissionais.
Fiscalização dos hospitais federais
A situação dos hospitais federais localizados no Rio também foi abordada na entrevista. Daniel Soranz defendeu maior integração dessas unidades com as redes municipal e estadual.
Segundo ele, o governo federal possui hospitais de grande importância na capital, mas os problemas de gestão, a falta de profissionais e a interrupção de serviços reduzem a capacidade de atendimento.
O deputado afirmou que continuará cobrando transparência na utilização dos recursos, na contratação de pessoal e na compra de materiais. Ele também criticou casos de descarte de medicamentos e vacinas vencidos.
Para Soranz, perder produtos por falta de planejamento representa desperdício de dinheiro público e pode deixar pacientes sem acesso aos tratamentos.
Paquetá Vacinada e combate à Covid-19
Durante a conversa, o parlamentar relembrou a campanha de vacinação contra a Covid-19 realizada na cidade e o projeto Paquetá Vacinada.
A iniciativa transformou a ilha em uma área de acompanhamento da imunização em larga escala, permitindo analisar a transmissão do vírus e os efeitos da vacinação sobre a população local.
Soranz afirmou que o trabalho foi realizado em parceria com instituições científicas e reforçou a importância da Fiocruz, das universidades e dos centros de pesquisa na formulação das políticas públicas.
O candidato também criticou a disseminação de informações falsas sobre vacinas. Para ele, a desinformação reduz a cobertura vacinal e facilita o retorno de doenças que estavam controladas.
Wolbachia contra a dengue
Outra iniciativa citada foi o método Wolbachia, utilizado no combate à dengue, à zika e à chikungunya.
A estratégia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão dos vírus. O projeto foi desenvolvido com participação da Fiocruz e implantado em áreas da cidade.
Daniel Soranz defendeu a ampliação do método para outros municípios fluminenses, juntamente com ações de eliminação dos criadouros, atendimento aos pacientes e campanhas de conscientização.
— Ciência e tecnologia precisam estar no centro da política de saúde. O método Wolbachia mostra que é possível utilizar inovação para proteger a população — afirmou.
Cegonha Carioca e Academia Carioca
O ex-secretário também destacou o programa Cegonha Carioca, destinado ao acompanhamento das gestantes e à organização do atendimento nos locais de parto.
Segundo Soranz, a iniciativa busca garantir que a mulher saiba previamente em qual maternidade será atendida, evitando a peregrinação por diferentes unidades no momento do parto.
O deputado mencionou ainda o programa Academia Carioca, que oferece atividades físicas orientadas em unidades de saúde e espaços públicos. Para ele, programas de prevenção ajudam a reduzir o desenvolvimento de doenças crônicas e melhoram a qualidade de vida da população.
Dependentes químicos e população em situação de rua
Questionado sobre o atendimento aos dependentes químicos e às pessoas em situação de rua, Soranz defendeu uma rede integrada de saúde, assistência social e habitação.
O candidato afirmou que a internação pode ser necessária em situações específicas, mas não deve ser utilizada como única resposta do poder público. Para ele, o tratamento precisa considerar os vínculos familiares, as condições de moradia, a saúde mental e a capacidade de reinserção social.
Soranz argumentou que as equipes de Consultório na Rua são fundamentais para estabelecer contato com pessoas que não procuram espontaneamente as unidades de saúde.
Segundo o deputado, o atendimento deve incluir redução de danos, tratamento da dependência, acompanhamento psiquiátrico e oportunidades de reconstrução da autonomia.
Apoio a Eduardo Paes
Na disputa pelo Governo do Estado, Daniel Soranz declarou apoio a Eduardo Paes, candidato do PSD.
O parlamentar afirmou que Paes é sua principal referência política e o nome mais preparado para reorganizar a saúde estadual. Ele citou a experiência administrativa do ex-prefeito e a implantação de programas desenvolvidos durante as gestões municipais.
— Eduardo Paes é minha principal referência política. Ele sabe montar equipe, definir metas, acompanhar resultados e fazer as políticas públicas saírem do papel — declarou.
Soranz afirmou que pretende integrar, caso seja reeleito, uma bancada federal capaz de buscar recursos e colaborar com uma eventual administração de Eduardo Paes no Governo do Rio.
Trajetória
Médico de família e comunidade, Daniel Soranz é pesquisador da Fiocruz e professor universitário. Ocupou a Secretaria Municipal de Saúde durante administrações de Eduardo Paes e participou da implantação de programas como as Clínicas da Família, o Cegonha Carioca, o Academia Carioca e os Super Centros de Saúde.
Eleito deputado federal em 2022, o parlamentar concentra sua atuação na Câmara em temas relacionados ao SUS, atenção primária, inovação, vacinação, financiamento da saúde e modernização das compras públicas.
Em 2026, Daniel Soranz disputa a reeleição pelo PSD, com o número 5588.