
O calendário está empurrando uma dança das cadeiras no Palácio Guanabara. Quem quiser disputar as eleições de outubro precisa sair do cargo até o início de abril — e, pelo que já se comenta nos bastidores, não vai ser pouca gente. A conta atual fala em ao menos 13 dos 31 secretários do governo Cláudio Castro arrumando as malas depois do carnaval. As informações são de Berenice Seara/Tempo Real.
Em ano “normal”, a engrenagem segue a tradição: o secretário que sai costuma deixar um nome indicado, geralmente alguém do próprio time, assessor de confiança ou servidor de carreira, para manter a secretaria rodando do jeito que vinha. Só que 2026 pode não ser um ano normal. Entra no cenário a possibilidade de Cláudio Castro renunciar e o estado ter uma eleição extemporânea e indireta para um novo governador. Se isso acontecer, a tendência é de troca mais ampla: pastas que já mudariam de comando por causa das candidaturas podem acabar nas mãos de nomes totalmente diferentes, a depender de quem assumir o topo do Guanabara.
Entre os que devem sair, há casos com mira fora do Rio. André Moura (União Brasil), secretário de Governo e interino na Representação em Brasília, aparece como nome com plano de disputar o Senado, mas pelo Estado de Sergipe.
O grosso da lista, porém, está na disputa por vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Estão nesse grupo Alexandre Isquierdo (União Brasil), secretário de Envelhecimento Saudável; Anderson Moraes (PL), de Ciência e Tecnologia; Bernardo Rossi (SDD), de Ambiente e Sustentabilidade; Bruno Dauaire (União), de Habitação de Interesse Social; Douglas Ruas (PL), de Cidades; Gustavo Tutuca (PP), de Turismo; Luiz Martins (PSDB), de Trabalho e Renda; Marcelo Menezes (PL), de Polícia Militar; e Uruan Cintra de Andrade, de Infraestrutura e Obras Públicas.
Na briga por cadeira na Câmara dos Deputados, a lista traz Bernardo Rossi (SDD), que também aparece como possível candidato; Felipe Curi (PL), secretário de Polícia Civil; Flávio Ferreira (PL), de Agricultura; e Rosangela Gomes (Republicanos), de Desenvolvimento Social.
Com esse volume de saídas, o pós-carnaval no governo estadual tende a virar um período de transição contínua: troca de comando, desenho de substituições e, dependendo do que acontecer com Cláudio Castro, uma reforma ainda maior do que a prevista só pela regra eleitoral.