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Decisões de Moraes têm fundamento, mas são desproporcionais, afirma especialista

As decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, têm “fundamento legal”, mas são consideradas “desproporcionais”, segundo avaliação do presidente da Comissão de Privacidade da OAB-SP, Solano de Camargo. O especialista analisa o embate entre o X (antigo Twitter) e o STF, destacando o conflito entre as leis brasileiras e americanas.

De acordo com Camargo, o inquérito em questão foi iniciado pelo próprio Supremo, com base em disposições do seu Regimento Interno, e não a pedido do Ministério Público, como é usual. O caráter sigiloso do processo tem sido alvo de críticas por parte de investigados, que alegam dificuldade em acessar a íntegra das informações.

 

Conflito de jurisdições

O especialista aponta para um conflito de leis no espaço, conceito do direito internacional. Enquanto as decisões brasileiras se fundamentam no Marco Civil da Internet e na jurisprudência nacional, a posição de Elon Musk, proprietário do X, baseia-se na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante uma liberdade de expressão mais ampla.

“De acordo com o posicionamento de Elon Musk que segue a primeira emenda, isso é uma censura, uma censura prévia gerando essa rusga, esse conflito de jurisdições”, explica Camargo. Ele ressalta que, na visão americana, as ações do X poderiam ser enquadradas como atos de desobediência civil, considerados lícitos quando se opõem a ordens tidas como ilegais ou inconstitucionais.

Apesar de reconhecer o mérito e o fundamento das decisões do ministro Alexandre de Moraes, Camargo as classifica como “processualmente, talvez exageradas, desproporcionais”. Essa abordagem, segundo ele, resultou em uma escalada do conflito, culminando na ameaça de tirar a rede social do ar no Brasil.

O caso evidencia a complexidade dos desafios jurídicos e políticos envolvendo a regulação das redes sociais em um contexto global, onde diferentes jurisdições e interpretações legais se chocam, colocando em debate os limites da liberdade de expressão e o alcance do poder judiciário nacional sobre plataformas digitais multinacionais.

Confira a entrevista na íntegra:

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

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