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Devemos aos militares não ter tido golpe em 8/1, diz Múcio

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, voltou a defender o papel das Forças Armadas para garantir a estabilidade das instituições democráticas no contexto da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A avaliação de Múcio é de que foram os militares os responsáveis por evitar um golpe no dia 8 de janeiro de 2023.

“Do dia 8 (de janeiro) até abril, eu me senti órfão, porque a direita estava zangadíssima porque os militares não aderiram o golpe, e a esquerda muito zangada porque achava que os militares tinham criado aquele golpe. Na realidade, nós devemos a eles não ter tido o golpe do dia 8”, disse o ministro em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

Múcio falava sobre o início de seu período a frente da Defesa, que classificou como “péssimo”, embora acredite que a “fase mais complicada já passou”.

A avaliação levou o ministro a, inclusive, sinalizar a Lula o desejo de deixar a pasta ainda no segundo mandato da gestão do petista. Neste ano, Múcio voltou a conversar com o presidente sobre o desejo de deixar a Esplanada, mas foi convencido por um “pedido de amigo”.

“O presidente disse: Olha Múcio, nós estamos numa fase difícil, eu sei das suas pretensões — que é estar mais a disposição da família e dos amigos —, mas eu preciso que você fique (no ministério), porque nós estamos aí com alguns desafios e eu não quero abrir mais um problema.”

Segundo o ministro, o presidente também mencionou o desejo dos comandantes das Forças por sua permanência. “Mandaram pedir, falaram, não sei com quem. Parece que houve a interferência de algum ministro do STF [Supremo Tribunal Federal], foi esse boato que correu, e ele pediu que eu ficasse e pedido de amigo…”, disse.

Em outras oportunidades, o ministro da Defesa já havia destacado o papel dos militares em impedir um possível golpe naquela época.

Às vésperas do aniversário de um ano do 8 de Janeiro, em entrevista à CNN, Múcio afirmou que, embora houvesse um grupo de “indisciplinados” dentro das Forças Armadas, Exército, Marinha e Aeronáutica não queriam aderir a um movimento golpista.

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