As vozes de personagens conhecidos da televisão e do cinema ocuparam o salão nobre da Câmara Municipal do Rio na manhã desta terça-feira (5). Pato Donald, Marge Simpson e Baby da Silva Sauro não estavam ali em imagem, mas foram lembrados por meio dos artistas que os dublaram: Cláudio Galvan, Selma Lopes e Marisa Leal.
Eles e outros profissionais da dublagem brasileira, em atividade e também homenageados in memoriam, receberam moções entregues pelo vereador Rafael Aloisio Freitas, responsável pela cerimônia.
A homenagem também abriu espaço para uma discussão que tem mobilizado o setor: o avanço das ferramentas de inteligência artificial e seus efeitos sobre o mercado de dublagem.
“Esse é um tema que tem que estar em permanente discussão. A inteligência artificial pode ser utilizada de forma acessória, mas não substitui a alma desses profissionais”, destacou Rafael Aloisio Freitas.
Dublagem e direitos autorais entram no debate
O presidente da Comissão de Direito Autoral da OAB-DF, Lucas Sérvio, defendeu que a tecnologia seja usada com responsabilidade, sem comprometer os direitos dos artistas. “Temos que proteger quem cria, as vozes são das pessoas, não podem estar em um banco de dados, e eu não falo como advogado e sim como fã da dublagem”, afirmou. Em nome da Ordem dos Advogados do Brasil, ele entregou uma placa ao vereador Rafael Aloisio Freitas.
A presidente da Associação de Dubladores Dário Costa, Adriana Torres, também participou da cerimônia e lembrou a atuação do parlamentar em 2023, quando a dublagem foi reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial no Rio de Janeiro. “É um orgulho lutar ao lado de diretores e atores em dublagem”, disse Rafael Aloisio Freitas.
O vereador também lembrou que o calendário oficial do Rio de Janeiro dedica o dia 29 de junho aos dubladores. “Eu quero a dublagem viva!”, afirmou Rafael Aloisio Freitas.