
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) partiu para o ataque contra o grupo político de Cláudio Castro depois que a Justiça do Rio de Janeiro anulou a sessão da Alerj que havia eleito Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Casa. Em publicação nas redes sociais, Paes afirmou que os aliados do ex-governador insistem em desrespeitar a decisão da Justiça Eleitoral e disparou: “Vão querer roubar mais uma eleição”, escreveu Eduardo Paes.
Na mesma postagem, o pré-candidato ao governo do estado endureceu ainda mais o discurso. “Essa turma ganhou a eleição roubando e governou 4 anos roubando! Mesmo depois da condenação contundente com fartura de provas, eles insistem em fazer chicana e desrespeitar escancaradamente a Justiça Eleitoral”, afirmou Eduardo Paes. Na sequência, ele voltou a mirar diretamente Cláudio Castro: “O condenado inelegível foi às redes sociais para celebrar a vitória do seu pupilo. Pode isso?”, escreveu Eduardo Paes.
A reação veio depois de a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anular a votação que havia colocado Douglas Ruas no comando da Alerj. Na decisão, a magistrada entendeu que o processo eleitoral interno da Assembleia só poderia ser aberto depois da retotalização dos votos de 2022 pelo TRE-RJ, marcada para a próxima terça-feira, dia 31 de março.
Ao justificar a liminar, Suely Lopes Magalhães afirmou que a sequência correta dos fatos precisava ser respeitada. “Primeiro retotalizar os votos, para assegurar a legitimidade da composição da Casa Legislativa e, assim, a higidez do colégio eleitoral e do próprio sufrágio interno que se avizinha; e só então deflagrar o processo eleitoral”, registrou a desembargadora. Para ela, a Alerj reconheceu a vacância da presidência, mas ignorou a perda do mandato parlamentar de Rodrigo Bacellar e o impacto que isso pode ter sobre a própria composição da Casa.
A pressa para eleger Douglas Ruas tinha peso bem maior do que uma simples troca administrativa no Legislativo. Sem vice-governador desde a saída de Thiago Pampolha e com a renúncia de Cláudio Castro no último dia 23, a presidência da Alerj virou peça-chave na linha sucessória do estado. Foi justamente esse efeito político que aumentou a temperatura da disputa. A própria decisão judicial destacou que a eleição interna interferia diretamente na definição de quem assumiria o governo fluminense.
No ataque de Paes, também apareceu uma referência ao julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal sobre as regras da eleição indireta para o mandato-tampão no Rio. O ex-prefeito voltou a acusar o grupo de Castro de tentar manipular o processo político mesmo depois da condenação no caso Ceperj. “Ou se dá limite a essa turma ou eles não vão parar de armar”, escreveu Eduardo Paes.
Com a anulação da sessão, Douglas Ruas perde, ao menos por enquanto, a vitória relâmpago que o colocaria no centro do tabuleiro fluminense. E o discurso de Eduardo Paes deixa claro que a guerra política no estado entrou de vez em outro patamar, agora com o vocabulário de campanha já escancarado.