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Eduardo Paes defende “neutralizar” criminosos armados e critica operação no Alemão e na Penha

Imagem meramente ilustrativa Foto: Marcelo Piui

O ex-prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes, do PSD, voltou a defender uma política de segurança pública com retomada de territórios e presença permanente do Estado. Em entrevista à BBC News Brasil, durante o Brazil Forum UK, em Oxford, no Reino Unido, ele criticou a megaoperação realizada em 2025 nos complexos do Alemão e da Penha, mas afirmou que criminosos fortemente armados precisam ser enfrentados.

“Delinquente que usa roupa de guerra e arma pesada contra o Estado vai ter que ser neutralizado”, disse Eduardo Paes.

Segundo ele, a operação foi resultado da falta de uma política estruturada de segurança no governo de Cláudio Castro. Paes afirmou que, mesmo após a ação policial, as comunidades seguiram sob domínio de grupos criminosos.

“E aquilo que a gente previa se confirmou: no dia seguinte, já estavam todos lá de volta, ou foram substituídos. As comunidades do Alemão e da Penha continuam dominadas pelo crime organizado”, afirmou.

O ex-prefeito disse que a ação não fez parte de uma política pública de segurança, mas de um gesto eleitoral. Ele também afirmou que o Estado tem o monopólio do uso da força, inclusive da força letal, mas que esse instrumento precisa estar dentro de uma estratégia clara.

“Ninguém gosta de 117, 122 pessoas mortas, inclusive os cinco agentes da lei. Quem se satisfaz com uma cena dessas não pode ser normal. Mas, eventualmente, o Estado tem o monopólio do uso da força, inclusive da força letal”, declarou Paes.

Segurança pública e retomada de territórios

Questionado sobre a possibilidade de realizar operações semelhantes, caso seja eleito governador, Eduardo Paes afirmou que pretende adotar uma política de segurança com planejamento e retomada de áreas dominadas pelo crime.

“Se eu for governador, vai ter política pública, clareza e retomada de território. E, se a pergunta é, se alguém ousar desafiar o Estado, colocar em risco a vida de um agente público, de um cidadão, e para isso tiver que ser neutralizado, será neutralizado”, disse.

Sobre o avanço das milícias no Rio de Janeiro, Paes afirmou que o Estado ainda não perdeu a disputa, mas reconheceu que o cenário é grave.

“Não perdeu. Está perdendo, mas vamos virar esse jogo, vamos ganhar essa disputa e retomar os territórios”, afirmou.

O pré-candidato também comentou uma possível viagem a El Salvador, país associado a uma política de encarceramento em massa. Ele negou que tenha agenda marcada e disse que esteve recentemente em Chicago, nos Estados Unidos, para conhecer experiências de enfrentamento à violência urbana.

“Eu não pretendo, eu não marquei nada. Saiu uma nota dizendo que ia. Não sei quem disse, mas eu não vou. Mas também não teria problema de ir. Às vezes, você tem que ver coisas esquisitas ou ter experiências”, afirmou.

Paes critica crise política no Estado

Na entrevista, Eduardo Paes também comentou a situação política do Rio de Janeiro. Ele defendeu eleições diretas e atribuiu a crise à fragilidade do grupo político que governou o estado nos últimos anos.

“O desejável é que nós tivéssemos um governador eleito democraticamente tocando as funções políticas do Estado. Essa, aliás, foi a tentativa que meu partido fez ao entrar com uma ação, pedindo por eleições diretas”, disse.

Paes fez críticas ao grupo de Cláudio Castro e citou a sequência de episódios que levou à intervenção do Supremo Tribunal Federal no processo de sucessão estadual.

“Essa é uma situação criada pela fragilidade institucional política do grupo que vem governando o Estado há oito anos”, afirmou.

Ao falar sobre o histórico de escândalos nos governos estaduais do Rio, o ex-prefeito disse que a população precisa observar a trajetória dos candidatos.

“Eu poderia dizer: ‘Vote em mim que não vai acontecer isso’. Mas acho que a população tem que estar mais atenta e olhar o histórico e a conduta”, afirmou.

Relação com Lula e disputa de 2026

Eduardo Paes afirmou que terá o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em seu palanque, mas tentou separar a eleição estadual da disputa nacional. Segundo ele, o presidente não será responsável por governar o Rio de Janeiro.

“Eu já tenho o presidente Lula no meu palanque. Ele tem o meu apoio, o meu voto, e acho que ele é o melhor quadro para vencer as eleições presidenciais. Mas não é ele que vai governar o Rio de Janeiro”, disse.

O ex-prefeito também afirmou que pretende apresentar uma agenda voltada para segurança, infraestrutura, desenvolvimento econômico, educação e saúde.

“Eu sou um fazedor. Eu quero cuidar dos problemas da população do meu Estado, quero resolver a violência, quero resolver a infraestrutura e o desenvolvimento econômico, a tragédia que está a educação fluminense, a saúde fluminense”, afirmou.

Paes disse ainda que sua experiência com Lula foi positiva quando esteve à frente da Prefeitura do Rio.

“A minha experiência com ele foi sempre de o presidente ajudar muito o Rio nos momentos em que fui prefeito”, declarou.

Promessa de cumprir mandato volta à pauta

Durante a campanha para a Prefeitura do Rio, Eduardo Paes havia dito que cumpriria os quatro anos de mandato. Agora, ao explicar a decisão de disputar o governo estadual, afirmou que a situação do estado mudou o cenário.

“Acho que a situação do Estado e o desafio. Tenho certeza de que a população carioca entendeu. Deixei a cidade com um grande gestor, um grande prefeito, que está mostrando a que veio nesses dois meses”, afirmou.

Segundo ele, a disputa pelo governo representa uma chance de contribuir em outro nível da administração pública.

“Acho que posso somar mais nesse momento se vencer as eleições para o Estado”, disse.

Questionado sobre planos para 2030, caso vença a eleição de 2026, Paes respondeu em tom irônico.

“Se eu fizer um bom trabalho, sair vivo e não terminar preso, já é uma vitória”, afirmou.

Terceira tentativa ao governo do Rio

Esta será a terceira tentativa de Eduardo Paes de chegar ao governo do Rio de Janeiro. A primeira ocorreu em 2006, quando ele era deputado federal pelo PSDB. Naquele ano, Sérgio Cabral venceu a eleição e depois o convidou para integrar o governo estadual.

Paes foi eleito prefeito do Rio em 2008 e reeleito em 2012. Voltou ao cargo em 2021 e se reelegeu em 2024. No período, passou por partidos como PSDB, MDB, DEM e PSD.

A trajetória também inclui críticas e desgastes ligados ao ciclo olímpico e à proximidade política que teve, no passado, com Sérgio Cabral, preso e condenado por corrupção. Paes sempre negou irregularidades e buscou se afastar politicamente do antigo grupo do MDB fluminense.

Na entrevista, ele afirmou que faz política, mas não aceita irregularidades dentro de uma eventual composição de governo.

“Acho natural que partidos que participem e apoiem uma candidatura tenham espaço no governo. Nos meus governos na prefeitura, eles sempre tiveram. Isso não significa delegação de autoridade, liberdade para roubar, nada disso. Quem comanda o governo é o chefe do Executivo”, disse Eduardo Paes.

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