
O Rio de Janeiro consolida-se como um dos polos mais dinâmicos do empreendedorismo feminino no Brasil. Dados do Governo do Estado (2025) revelam que as mulheres já representam 38% dos donos de negócios fluminenses, o equivalente a mais de 960 mil empresárias. Entre janeiro e maio deste ano, elas foram responsáveis por 45% das novas empresas abertas no estado, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A maioria atua em serviços, como educação, alimentação, comunicação e saúde, setores que concentram 65% das iniciativas femininas, de acordo com o Sebrae Rio.
No próximo dia 19 de novembro, quando se celebra o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, o Brasil não só exalta o protagonismo das mulheres à frente de empresas próprias, mas também enfrenta a reflexão sobre os desafios ainda presentes. Um estudo da Mastercard (fevereiro de 2025) mostra que, embora 80% das brasileiras já tenham considerado abrir ou gerir um negócio, 53% não concretizaram a ideia. A falta de financiamento permanece como o principal obstáculo para 37% delas. A pesquisa também evidencia uma disparidade de renda: mesmo com maior escolaridade – 29% têm nível superior ou mais –, a renda média das empresárias é 24% inferior à dos homens à frente de empresas.
Histórias inspiradoras de empreendedoras fluminenses
A despeito das barreiras, histórias de sucesso florescem no estado, simbolizando esse avanço e a transformação do Rio em terreno fértil para negócios liderados por mulheres. Executivas de diferentes setores unem propósito a uma gestão afiada, equilibram expansão e maternidade, e constroem impérios com capital próprio.
À frente do Grupo Empório, rede carioca de alimentação com oito unidades, Andrea Gomes construiu seu negócio 100% com recursos próprios. Jornalista e pós-graduada em Marketing Estratégico, ela lidera uma operação que faturou R$ 35 milhões em 2024, conciliando expansão, maternidade e uma gestão pautada por cultura e eficiência.
No universo dos negócios e gestão, Thamiris Abdala, CEO da Holding SM, comanda operações em contabilidade, seguros e compliance, que geraram um faturamento de R$ 15 milhões no ano passado. Engenheira com carreira na Petrobras e formação executiva pela FUCAPE e Ibmec, ela se destaca pela visão multidisciplinar e inovação na gestão.
A educação também tem liderança feminina de peso. Camila Oliveira, diretora-geral da Rio International School (RIS), soma três décadas de dedicação ao setor e comanda uma das escolas internacionais mais reconhecidas da cidade, com 370 alunos e acreditação COGNIA.
Laila Mendes e Diana Quintella, cofundadoras da MiniMe Educação Infantil, representam a nova geração de gestoras que aliam propósito, excelência pedagógica e gestão moderna. A rede possui 240 alunos e unidades no Rio.
A sociedade de Luana Fernández e Marcella Moura na Acerta, consultoria especializada em gestão de pessoas, resultou em um faturamento de R$ 2,4 milhões em 2024. Luana, formada em Comunicação pela PUC-Rio e com MBA no Ibmec, é responsável pelas áreas comercial, marketing e financeiro. Marcella, psicóloga com mestrado e MBA em RH pela PUC-Rio, atua na seleção e capacitação de talentos. Ambas têm passagem pela Reserva, onde fortaleceram a cultura organizacional da marca.
Na cena cultural, Mariana de Azambuja Cardoso, diretora da Azambuja Cardoso Produções Culturais, captou R$ 100 mil via Lei de Incentivo à Cultura do município para lançar seu primeiro livro, “Coisas Que Me Lembram Você”. Advogada por duas décadas, em 2020 decidiu investir capital próprio em cultura e produziu a websérie adolescente “CRUSH!”, que foi premiada.
Já no setor de alimentação, Viviane Schvatrz, proprietária do Peixoto Sushi, obteve um faturamento de R$ 3 milhões no último ano. Formada em Marketing, ela deixou uma carreira em multinacional para, em 2019, liderar o projeto piloto do restaurante dentro da peixaria do marido, o Peixoto Deli. Seu negócio, ainda de pequeno porte, exige um olhar minucioso sobre as margens e a operação para garantir o crescimento anual.
Essas trajetórias reforçam o papel do Rio de Janeiro como um dos principais polos de empreendedorismo feminino do país. Apesar das desigualdades de crédito e renda, cresce o número de mulheres que transformam propósito em estratégia e consolidam negócios sustentáveis, inspirando uma nova geração de empreendedoras fluminenses.