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Ex-comandante do Exército: “Sem dúvida”, carta foi tentativa de ruptura

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, afirmou que a carta assinada por oficiais da ativa da Força, divulgada após as eleições de 2022, representava “sem dúvida” uma tentativa de ruptura institucional.

Ele classificou o documento como “inaceitável” e “inconcebível” dentro da hierarquia militar, destacando que manifestações políticas por militares da ativa violam os princípios das Forças Armadas.

Freire Gomes é uma das testemunhas de acusação no inquérito que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições em 2022. Outras 81 serão ouvidas pelo Supremo nas próximas semanas.

O ex-comandante do Exército teria sido pressionado, de acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a aderir ao plano.

Ainda em depoimento ao STF, Freire Gomes negou ter ameaçado dar voz de prisão ao então presidente Jair Bolsonaro (PL) quando ele mencionou a possibilidade de dar um golpe de Estado para se manter no poder após ser derrotado nas urnas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os depoimentos estão sendo conduzidos por juízes-auxiliares do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. Todas as audiências são realizadas por videoconferência e acompanhadas pelas defesas dos denunciados, além de representantes da Procuradoria-Geral da República.

“Determinante para golpe não acontecer”

De acordo com o relatório da Polícia Federal (PF), Freire Gomes foi “determinante” para que uma tentativa de ruptura institucional não tivesse apoio das Forças Armadas.

Ainda segundo a PF, além de Freire Gomes, o comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, se manifestou contrário ao plano. Já o almirante Almir Garnier, então comandante do Marinha, teria aderido.

Com a negativa dos dois, Bolsonaro teria, então, procurado o apoio do general Estevam Theóphilo, à frente do Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército.

Freire Gomes chegou ao comando do Exército em março de 2022, substituindo Paulo Sérgio Nogueira, que assumiu o Ministério da Defesa após Walter Braga Netto deixar a pasta para compor a chapa de Bolsonaro nas eleições daquele ano.

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