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Ex-secretário nacional de Saneamento Ambiental defende adaptação climática como prioridades para o futuro do Rio

Tubulação destinada ao saneamento básico – Imagem meramente ilustrativa / Shutterstock

O deputado federal e ex-secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades e Leonardo Picciani defendeu a ampliação dos investimentos em saneamento, habitação e adaptação das cidades aos eventos climáticos extremos durante participação no podcast Verdes Ventos, no YouTube. Ao longo da entrevista, ele associou os desafios ambientais à qualidade de vida da população e à capacidade de planejamento dos governos.

Recém-filiado ao Partido Verde, Leonardo Picciani afirmou que a pauta ambiental deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar posição central no debate público. Segundo ele, o aumento da frequência e da intensidade de secas, enchentes e ondas de calor exige respostas concretas do poder público.

“Estamos em meio a uma emergência climática. Não há como negar o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos que impactam diretamente a vida e a segurança das pessoas”, afirmou.

Ao abordar sua experiência à frente da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, Picciani destacou que o conceito de saneamento vai além da coleta e tratamento de esgoto. Para ele, a adaptação das cidades passa também pela drenagem urbana, pela política habitacional e pela ocupação ordenada do território.

Durante a conversa, ele citou tragédias como as enchentes em Petrópolis e o deslizamento do Morro do Bumba, em Niterói, como exemplos de problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento urbano e políticas públicas permanentes. “A maioria das nossas cidades não cresceu de forma ordenada e planejada. Hoje precisamos correr atrás desses anos perdidos”, disse.

Outro tema recorrente foi a segurança hídrica. Picciani chamou atenção para projeções que indicam aumento da demanda por água nas próximas décadas ao mesmo tempo em que a disponibilidade hídrica tende a diminuir. Ele lembrou a seca registrada recentemente na Amazônia, quando rios historicamente caudalosos atingiram níveis críticos.

“A gente precisa desde já cuidar da redução de perdas. O Rio de Janeiro ainda tem um índice altíssimo de desperdício de água tratada. Esse é um recurso valioso e finito”, afirmou.

No campo econômico, o ex-secretário defendeu que o Rio de Janeiro utilize a riqueza gerada pela indústria do petróleo para financiar a transição para uma economia de baixo carbono. Segundo ele, o estado reúne condições para avançar em iniciativas ligadas à economia criativa, à inovação e à redução das emissões.

O petróleo deve ser utilizado para investir em soluções que reduzam cada vez mais a necessidade de emissões”, declarou.

A entrevista também abordou o cenário político fluminense. Picciani demonstrou preocupação com a instabilidade institucional vivida pelo estado nos últimos anos e defendeu a valorização das instituições democráticas. Ao mesmo tempo, afirmou que o Rio conta com gestores e servidores comprometidos com o interesse público e que a recuperação da confiança passa pelo fortalecimento das políticas de longo prazo.

Ao explicar sua entrada no Partido Verde, ele afirmou que a experiência acumulada em áreas como habitação e saneamento consolidou sua convicção de que desenvolvimento social e preservação ambiental precisam caminhar juntos. “Não há como levar justiça social ao conjunto da sociedade desrespeitando o meio ambiente, os recursos naturais e a qualidade de vida das pessoas”, disse.

Para Picciani, o avanço da agenda ambiental depende da ampliação do acesso à informação e da participação da sociedade. “O principal instinto do ser humano é a sobrevivência. Quanto mais as pessoas compreenderem a importância desses temas, maior será a capacidade de enfrentarmos os desafios que estão colocados para o futuro.

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