
Até pouco tempo, cidades do Sul Fluminense como Porto Real, Barra Mansa, Itatiaia e Valença eram sinônimos de sossego, natureza e destinos turísticos bem conhecidos pelos moradores da capital. Regiões das fazendas de cafés e cidades históricas do século 17 agora enfrentam o avanço das facções criminosas que impõem regras, controlam territórios e elevam os índices de violência, colocando em risco a segurança da população e a economia da região. O principal aliado para o avanço seria a localização, considerada estratégica para os grupos criminosos.
Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram aumento expressivo nos homicídios e crimes relacionados ao tráfico nos primeiros seis meses de 2025. Conforme reportagem do O Globo, pichações com símbolos de grupos armados aparecem em muros, postes e estabelecimentos, indicando uma rotina de medo e imposições para quem circula, como proibição de capacetes, obrigatoriedade de vidro baixo e faróis apagados.
Em Barra Mansa, por exemplo, a disputa entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP) já resultou em tiroteios com feridos. No bairro Vila Ursulina, o conflito é sentido quase que diariamente por moradores que relatam abordagens até mesmo durante a noite, diferente da tranquilidade dos últimos anos. Porto Real, com cerca de 20 mil habitantes, vive situação semelhante, com territórios divididos e registro de tiros quase todas as noites, além de evasão escolar em regiões dominadas por facções.
Itatiaia, a 170 km do Rio, tem o Parque Nacional e Visconde de Mauá como cartões-postais. Mas na subida da serra, três placas com siglas de facção já anunciam que o crime também marca presença por ali..
As autoridades tentam reagir. O prefeito de Barra Mansa anunciou a criação de uma Companhia Independente da Polícia Militar para 2026, enquanto a PM intensifica ações na região, que está sob responsabilidade do 5º Comando de Policiamento de Área. Apesar disso, a disputa pelo controle das rotas estratégicas de tráfico segue alimentando a violência.
Especialistas apontam que a localização geográfica dessas cidades, próximas a importantes corredores de escoamento de drogas e armas, torna a região um campo de batalha estratégico para as facções.