
No Rio de Janeiro, o mercado de locação pesa fortemente sobre as famílias de baixa renda. Pesquisa do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar), da UFMG, mostra que quem recebe até R$ 1,9 mil por mês destina, em média, 65% da renda ao pagamento de aluguel — o maior percentual entre todas as unidades federativas analisadas.
O levantamento, encomendado pela plataforma QuintoAndar e baseado em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, indica que, embora o peso do aluguel diminua com o aumento da renda, ele segue elevado em todas as faixas. Famílias com renda entre R$ 1,9 mil e R$ 2,8 mil comprometem 29% da renda com aluguel, enquanto aquelas com renda entre R$ 5,7 mil e R$ 9,5 mil destinam 15%. Entre os mais ricos, com renda superior a R$ 23,8 mil, o percentual cai para 7,2%, mas ainda representa valores significativos em termos absolutos.
Além do peso relativo, o valor absoluto do aluguel no Rio de Janeiro também é elevado. Famílias de baixa renda chegam a pagar, em média, R$ 550 mensais, acima de São Paulo (R$ 502) e Minas Gerais (R$ 378). Para a faixa de renda entre R$ 2,8 mil e R$ 5,7 mil, o aluguel médio no Rio é de R$ 753, superando São Paulo (R$ 723) e Minas Gerais (R$ 589). Entre os mais ricos, o valor médio chega a R$ 2,1 mil, ficando atrás apenas de São Paulo, com R$ 3,7 mil.
O estudo mostra ainda o impacto direto nos bairros da cidade. Na Rocinha, por exemplo, famílias de baixa renda destinam cerca de 29% da renda ao aluguel de pequenos apartamentos. Em Vila Isabel, na Zona Norte, o comprometimento chega a 28% da renda familiar para imóveis de dois quartos. Esses números revelam que mesmo rendas medianas enfrentam custos significativos, limitando o orçamento para alimentação, transporte e contas básicas.
O levantamento evidencia também a concentração de renda no setor imobiliário. Enquanto os mais pobres arcam com grande parte dos ganhos para morar, famílias com renda superior a R$ 23,8 mil recebem, em média, R$ 4 mil mensais com locação — mais de cinco vezes o valor obtido pelos grupos de menor renda.