
Uma possível fraude eletrônica no sistema do IPTU da Prefeitura do Rio coloca sob suspeita a segurança dos dados e a confiabilidade do sistema da administração municipal. Segundo com o Sindicato Carioca dos Fiscais de Rendas (Sindicaf), houve adulteração de cadastros e invasão de computadores na Secretaria municipal de Fazenda, com indícios de uso de dispositivos para capturar senhas e informações de servidores. O caso, revelado inicialmente pela imprensa, teria ocorrido em dezembro do ano passado, pouco antes do envio das cobranças do tributo em 2026.
Em ofício enviado aos servidores, o presidente do sindicato, Kleber Tadeu Neves, confirmou que técnicos da IplanRio encontraram equipamentos do tipo “skimmer” em mais de uma máquina, versão que diverge da nota oficial da prefeitura, que mencionava apenas um computador afetado. Segundo o documento, também foi necessário realizar procedimentos para correção de dados cadastrais em “mais de uma centena de inscrições”, contrariando a informação oficial de que não houve alterações.
A suspeita é de que a fraude tenha como objetivo reduzir valores de IPTU de determinados contribuintes por meio da manipulação dos dados no sistema. Diante da gravidade, o sindicato cobra explicações sobre a demora na abertura de uma sindicância para apurar o caso e questiona medidas adotadas pela equipe técnica.
“É preciso esclarecer por que os equipamentos foram manuseados sem o devido lacre para perícia”, apontou o sindicato no ofício, ao levantar dúvidas sobre a preservação de provas no processo de investigação.
O episódio se soma a um histórico de falhas no sistema de arrecadação do município. Casos semelhantes já foram registrados em outras décadas, envolvendo manipulação de dados do IPTU. Em 1995, uma fraude no sistema levou a prefeitura a contratar empresas para reforçar a segurança digital. Anos depois, novas brechas voltaram a ser identificadas.
Em 2001, uma investigação sobre adulterações no cadastro do imposto ganhou contornos dramáticos. O então coordenador do IPTU, Antonio Moreno, sofreu um atentado a tiros enquanto apurava irregularidades no sistema. Ele sobreviveu, mas o caso levou à abertura de uma CPI na Câmara Municipal e resultou na demissão de servidores envolvidos em esquemas de fraude.
Mais recentemente, em 2022, a Prefeitura do Rio enfrentou um ataque hacker de grandes proporções, que deixou serviços municipais fora do ar por meses. Na ocasião, sistemas essenciais foram comprometidos, e o município estimou a necessidade de substituir cerca de 20 mil computadores, metade do parque tecnológico, para restabelecer a normalidade e reforçar a segurança digital.