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Furtos de cabos e falsos entregadores entram na mira de novo sistema de monitoramento do Rio

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura do Rio vai ampliar o uso de tecnologia no combate à criminalidade. A partir de convênios assinados nesta quinta-feira (20), a Light, a 99 e a empresa Gabriel passarão a compartilhar dados com a Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (Civitas), órgão municipal que reúne informações e imagens para auxiliar investigações na cidade.

A Civitas já conta com uma rede de 13 mil câmeras de vigilância, sendo 3,2 mil equipadas com tecnologia de reconhecimento facial e leitura de placas de veículos. A estrutura permite reconstituir trajetos e identificar padrões de comportamento de pessoas e veículos investigados.

Light terá acesso a imagens em tempo real

A parceria com a Light terá como foco principal o combate ao furto de fios e cabos, crime que provoca interrupções de serviços e prejuízos para a concessionária e para o poder público. Somente entre janeiro e julho deste ano, foram registradas 780 ocorrências de furtos, que causaram um prejuízo estimado em R$ 10,5 milhões à companhia.

Pelo acordo, informações sobre os locais e horários em que ocorreram furtos de energia e cabos serão repassadas à prefeitura. A concessionária também fornecerá um mapa com áreas dominadas pelo crime organizado onde seus técnicos não podem entrar. Em contrapartida, a Light terá acesso, em tempo real e por streaming, às imagens das ruas captadas pelas câmeras do Centro de Operações e Resiliência (COR) do município. De acordo com o diretor-executivo da Civitas-Rio, Davi Carreiro, os dados fornecidos pelas empresas serão utilizados pelos analistas da central para desenvolver soluções tecnológicas voltadas à segurança.

Para o diretor da Light, Lucas Nass, o monitoramento poderá acelerar o deslocamento das equipes para locais onde seja necessário realizar reparos na rede. “Esse monitoramento vai permitir a mobilização mais rápida das equipes para se deslocarem até os locais e fazer os reparos”, afirmou.

As informações também poderão ser requisitadas pelas polícias ou pelo Ministério Público para utilização como prova. O sistema contará com uma cadeia de custódia digital para garantir a autenticidade dos dados.

Dados da 99 ajudará a identificar falsos entregadores

O acordo com a 99 prevê o compartilhamento de microdados anonimizados de cerca de 500 mil utilizações diárias da plataforma no Rio, entre viagens de motoristas e entregadores. As informações não terão dados pessoais, seguindo as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A partir de uma solicitação da polícia ou do Ministério Público, será possível consultar o banco de informações da empresa em busca de um veículo relacionado a uma investigação. Os dados poderão ser cruzados com imagens armazenadas pelas câmeras da Civitas para verificar a circulação do veículo em determinado local e horário. A estratégia é chamada de cerco eletrônico e poderá ser usada para auxiliar na reconstrução de trajetos de suspeitos.

Segundo o diretor de Políticas Públicas da 99, Fernando Paes, a parceria também pretende ajudar na identificação de falsos entregadores, que utilizam mochilas térmicas com a logomarca da empresa para circular pela cidade.

“Já temos uma parceria com a Polícia Militar do Rio e agora estamos ampliando com a Civitas. Uma vantagem da associação com a prefeitura será ajudar a identificar falsos entregadores, que circulam com bags (mochilas térmicas) com a logomarca da empresa”, explicou.

Gabriel tem 11 mil câmeras pela cidade

A terceira parceria envolve a Gabriel, empresa que possui 11 mil câmeras instaladas em 3,5 mil vias públicas do Rio. Com autorização e mediante solicitação das autoridades policiais, as imagens da empresa poderão ser cruzadas com os registros das câmeras da Civitas. A integração permitirá ampliar a área monitorada e ajudar na identificação de suspeitos e veículos durante investigações.

Para o CEO da Gabriel, Erick Coser, a combinação entre tecnologia e dados sobre a distribuição das ocorrências criminais pode contribuir para a atuação das forças de segurança.

“A tecnologia aliada à análise das manchas criminais para identificar os locais com maiores ocorrências é essencial para a Segurança Pública. É impossível ter um policial em cada esquina das cidades”, afirmou.

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