
O governo do Rio de Janeiro pretende enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF), até 20 de dezembro, um plano estratégico que prevê o apoio operacional do Exército em ações voltadas à retomada de territórios controlados pelo tráfico. A informação foi confirmada nesta terça-feira (28/10) pelo secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos. As informações são de Paulo Capelli/Metrópoles.
“O plano será apresentado até 20/12 ao Conselho Nacional do Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal”, disse o secretário, lembrando que o tema das operações policiais chegou a ser pauta na Corte.
Segundo Victor dos Santos, o documento em elaboração prevê a atuação conjunta de forças estaduais e federais, incluindo Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional e Forças Armadas. Ele adiantou que o Exército poderá cooperar com o fornecimento de veículos blindados e apoio logístico. “Estamos hoje confeccionando o plano. O modelo será apresentado. Claro, os agentes políticos vão conversar. Aprovando, a gente inicia a ocupação desses territórios”, explicou.
Em julho, o secretário já havia defendido o uso de força ampliada: “O Estado vai entrar com força total. O monopólio da força é do Estado. A gente não pode permitir que uma organização criminosa inverta isso”, afirmou à época.
Nesta terça-feira, o governador Cláudio Castro reforçou a necessidade de ajuda das Forças Armadas. “Para uma guerra dessa, que nada tem a ver com segurança urbana, realmente nós deveríamos ter um apoio muito maior. Talvez até, nesse momento, das Forças Armadas, porque essa é uma luta que já extrapolou toda a ideia de segurança pública”, disse o governador.
Castro também ressaltou que o poder de fogo das facções ultrapassa os limites de atuação policial tradicional. “Tudo aquilo que está lá na Constituição Federal extrapola completamente quando você tem essa quantidade de armas que vem através do tráfico internacional, essa quantidade de poder bélico que vem de um financiamento feito por lavagem de dinheiro”, afirmou.
O plano, segundo o governo estadual, será discutido com o Ministério da Justiça e submetido ao STF antes de qualquer solicitação formal de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).