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Grupos travam guerra silenciosa pela presidência da Alerj em meio ao enfraquecimento de Bacellar

Foto Daniel Martins /DIÁRIO DO RIO

O afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, desencadeou uma disputa silenciosa, e cada vez mais evidente, pelo comando da Casa. A decisão permitiu que Bacellar deixasse a prisão da Polícia Federal, mas o proibiu de reassumir a presidência.

Como a cadeira só fica vaga se houver renúncia, cassação ou morte, líderes partidários passaram a pressionar Bacellar a abrir mão do posto. A possibilidade de uma sucessão imediata virou o principal assunto entre deputados, que enxergam na mudança uma chance de reorganizar forças na Alerj e interferir diretamente na linha sucessória do governo estadual.

É um verdadeiro “golpe de estado”, resumiu um parlamentar, descrevendo as articulações. Nos corredores, ao menos três grupos já atuam para viabilizar nomes e montar blocos de apoio para uma eventual eleição relâmpago.

Três candidaturas se movem nos bastidores

O primeiro nome a despontar é o do deputado Chico Machado (Solidariedade), que tenta costurar apoios entre independentes e setores da base governista. Deputados próximos afirmam que Machado tenta se apresentar como “solução neutra” para evitar que a disputa entre PL e União Brasil paralise a Casa.

Outro campo, apelidado de “tropa do Bacellar”, trabalha para manter o comando da Alerj sob influência do grupo do presidente afastado. O bloco reúne deputados como Rodrigo Amorim (União), Alan Lopes (PL) e Alexandre Knoploch (PL). Eles negam articulação, mas aliados de Bacellar afirmam reservadamente que a ideia é garantir que o substituto seja alguém leal ao ex-presidente, permitindo que ele continue influente nos rumos da Casa.

A terceira frente é capitaneada pelo PL, que tenta emplacar um nome próprio na eleição. O partido articula a candidatura do secretário de Cidades, Douglas Ruas, licenciado do mandato. Ele é considerado aposta pessoal do presidente do PL no Rio, Altineu Cortes, para 2027. Sua candidatura, porém, enfrenta resistências: Ruas está fora da Alerj, cumpre seu primeiro mandato e teria de retornar imediatamente para concorrer.

Entre aliados de Cortes, ainda há quem considere o presidente interino, Guilherme Delaroli (PL), como opção mais viável caso Bacellar renuncie, embora ele também seja visto como nome que mudaria o eixo político do comando atual.

Castro tenta conter danos e evitar nova eleição

A crise expôs outra camada de disputa: a influência direta do governador Cláudio Castro sobre a sucessão. Com a renúncia do vice Thiago Pampolha para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado, qualquer mudança na presidência da Alerj altera a linha sucessória, o que tem provocado apreensão no Palácio Guanabara.

Castro tem dito a aliados que não deseja uma nova eleição na Casa. O governador teme que uma disputa aberta atrase votações consideradas estratégicas, como a adesão ao regime fiscal Propag e o orçamento de 2026. Apesar do distanciamento de Bacellar desde o meio do ano, o governador também não pretende ampliá-lo e, por isso, manteve no governo vários indicados do deputado.

Mesmo assim, o poder de influência de Castro cresce a cada dia. O presidente interino da Alerj não integra a linha de sucessão do governo. Caso Castro viaje ou se licencie, quem assume é o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto. Essa brecha aumenta a pressão para que o governador atue na escolha do eventual novo comandante da Assembleia.

Sucessão de 2026 entra no jogo

A disputa pela presidência da Alerj se entrelaça com a sucessão estadual. Por força da lei eleitoral, Castro deve renunciar até o fim de abril de 2026 para disputar o Senado. A partir de maio, só poderia concorrer à reeleição, o que não deseja.

Antes da queda de Bacellar, o plano articulado no governo previa que o deputado assumisse o governo interinamente e convocasse uma eleição indireta. Bacellar cogitava disputar o mandato-tampão e tentar a reeleição em 2026. A crise entre os dois e a prisão do presidente da Alerj bagunçaram essa engenharia política.

Castro passou então a sinalizar preferência pelo secretário da Casa Civil, Nicola Miccione, nome técnico, sem ambições eleitorais, para comandar o estado até o fim do ano eleitoral. Se Bacellar renunciar, porém, a Assembleia terá cinco sessões para escolher seu novo presidente. E esse deputado se tornaria peça-chave para a engenharia da sucessão, desde que aceitasse abrir mão de disputar uma vaga em 2026 nos poderes legislativos estadual ou federal ou uma eventual candidatura ao governo.

Negociações incluem até antecipação da saída de Castro

Entre deputados e aliados do governo, já circula uma hipótese: caso a eleição interna seja inevitável, Castro poderia antecipar sua própria renúncia em cerca de um mês. Essa manobra colocaria no tabuleiro o novo presidente da Alerj, escolhido sob influência do governador que, ao assumir o governo interinamente, organizaria a eleição indireta para o mandato-tampão até dezembro de 2026.

Na prática, a troca no comando da Alerj se tornaria parte da negociação pelo futuro do Palácio Guanabara. Enquanto isso, o Legislativo segue em compasso de espera. Deputados próximos a Bacellar afirmam que ele ainda avalia seus próximos passos e não pretende ser pressionado por nenhum grupo.

Nos bastidores, porém, a disputa já está em curso e ameaça remodelar o mapa político do Rio de Janeiro nos próximos dois anos.

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