O deputado estadual Guilherme Schleder (PSD), candidato à reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), afirmou que Douglas Ruas (PL) ainda não possui experiência suficiente para governar o Estado. A declaração foi dada durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO, na qual Schleder também apresentou propostas para o esporte e declarou apoio integral à candidatura de Eduardo Paes ao Palácio Guanabara.
Apesar da crítica, Schleder disse respeitar Douglas Ruas, com quem convive na Alerj. Para ele, no entanto, o candidato do PL ainda não está preparado para assumir o comando do Executivo estadual.

— O Douglas é um deputado que eu respeito muito, mas acho que não tem experiência, não tem condições ainda de ser governador. Pode ser, quem sabe, um dia. Acho que não neste momento — afirmou.
Ao comparar os candidatos, Schleder classificou Eduardo Paes como o nome mais preparado para governar o Rio. Ele destacou a experiência administrativa do ex-prefeito e as viagens realizadas aos municípios fluminenses após deixar a Prefeitura da capital.
— Eduardo Paes é, disparado, a melhor pessoa que pode governar o Estado em todos os sentidos. Tem experiência, conhece o Rio de Janeiro como a palma da mão e é um cara dedicado — declarou.
‘Minha campanha é menos importante que a de Eduardo Paes’
Schleder trabalha com Eduardo Paes há 30 anos. A relação começou em 1996, quando atuou como assessor do então vereador. Durante a entrevista, o deputado reconheceu que sua trajetória política está diretamente ligada à do candidato ao Governo do Estado.
— Trabalhar na política sem trabalhar com Eduardo Paes não existe como possibilidade — afirmou.
Segundo Schleder, seu projeto de reeleição para a Alerj ocupa uma posição secundária diante da campanha estadual de Paes.
— Hoje, a minha campanha para deputado estadual é menos importante que a campanha do Eduardo Paes para governador do Estado, para salvar o nosso estado. Meu primeiro objetivo sempre são as campanhas do Eduardo — disse.
O deputado afirmou não se incomodar quando adversários o classificam como um dos homens de confiança de Paes. Para Schleder, a proximidade não compromete sua independência porque os dois integram o mesmo projeto político.
Segurança com inteligência e tecnologia
Na avaliação do candidato, a segurança pública deverá ser a principal prioridade de um eventual governo Eduardo Paes. Schleder acredita que o modelo de atuação da Força Municipal e do sistema Civitas poderá servir de referência para o Estado.
Ele defendeu o uso de dados, câmeras e inteligência para orientar as ações de combate ao crime organizado.
— Todo o modelo de segurança do município está sendo feito com inteligência. Acho que Eduardo vai replicar isso para o Estado. A coisa mais importante para a segurança pública é inteligência e estratégia — declarou.
Vilas Olímpicas para os municípios
Ex-secretário municipal de Esportes, Schleder pretende transformar a área em sua principal bandeira na Alerj. Entre as propostas está a expansão para outros municípios de programas desenvolvidos na cidade do Rio, como as Vilas Olímpicas e o Rio em Forma.
Segundo ele, das 28 Vilas Olímpicas existentes na capital, dez estavam fechadas quando assumiu a secretaria. Todas foram reabertas e atualmente atendem aproximadamente 80 mil pessoas.
O candidato reconheceu que os equipamentos exigem reformas permanentes devido ao uso intenso de piscinas, pistas de atletismo e campos de grama sintética. Ainda assim, afirmou que todas as unidades estão em condições de oferecer atividades.
Duas novas Vilas Olímpicas estão sendo construídas em Rio das Pedras e Sepetiba. A unidade de Rio das Pedras terá cerca de 10 mil metros quadrados, com piscina, pista de corrida, campo de futebol e espaços para diferentes modalidades.
Para Schleder, a cidade ainda comporta pelo menos mais dez unidades.
— Tem bastante região da cidade onde ainda falta Vila Olímpica. Acho que cabem tranquilamente mais umas dez — disse.
No âmbito estadual, o candidato defendeu a criação de uma meta para que, no futuro, todos os 92 municípios fluminenses tenham equipamentos semelhantes.
Rio em Forma e atividades nas praças
Schleder também defendeu a ampliação do Rio em Forma, programa que oferece atividades gratuitas em praças, clubes, igrejas e outros espaços da cidade.
Segundo o deputado, o projeto conta com aproximadamente 2 mil professores e monitores. As aulas incluem ginástica para idosos, futebol e outras modalidades, com núcleos espalhados por diferentes bairros.
O ex-secretário destacou ainda a parceria com unidades de saúde. A proposta é encaminhar pacientes que concluíram tratamentos para atividades físicas próximas às Clínicas da Família, reduzindo as chances de retorno provocado pelo sedentarismo.
Na avaliação de Schleder, o esporte deve ser tratado não apenas como lazer, mas também como política preventiva de saúde.
Corridas de rua cresceram no Rio
Outro resultado destacado pelo candidato foi o crescimento do calendário de corridas de rua. De acordo com Schleder, a cidade passou de aproximadamente 60 provas em 2021 para mais de 350 em 2025.
A expansão levou os eventos para além da orla e do Aterro do Flamengo. Atualmente, há corridas realizadas no Centro, no Parque Olímpico, no Recreio dos Bandeirantes e no Parque Madureira.
Schleder também citou a Maratona do Rio, que chegou ao limite de 65 mil participantes e teve as inscrições encerradas em cerca de três horas.
Para ele, a estabilidade do calendário permite que corredores de outros estados e países comprem passagens e reservem hotéis com antecedência, ampliando os efeitos dos eventos sobre o turismo e a economia carioca.
Legado olímpico
A entrevista aconteceu no período em que o Rio celebra os dez anos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Schleder afirmou que todos os equipamentos construídos para o evento estão sendo utilizados.
Ele citou a transformação da Arena 2 em um equipamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a instalação de uma escola municipal em tempo integral na Arena 3 e o funcionamento do Parque Radical de Deodoro como a 28ª Vila Olímpica da cidade.
O ex-secretário também destacou a recuperação da pista de BMX e a transferência da piscina de aquecimento utilizada nos Jogos para o Parque Oeste, em Inhoaíba. Segundo Schleder, o equipamento atende atualmente mais de 2 mil pessoas com aulas de natação e hidroginástica.
— Não existe um espaço olímpico que hoje não esteja sendo utilizado — afirmou.
‘O Maracanã tem que ser do Estado’
Schleder defendeu que o Maracanã continue pertencendo ao Governo do Estado. Embora admita uma administração compartilhada com Flamengo e Fluminense, ele se posicionou contra a venda definitiva do estádio.
— Como gestor público, acho que o Maracanã tem que ser do Estado e gerido pelo Estado. É um equipamento muito importante para a cidade e para o Rio de Janeiro. Dá para fazer uma gestão compartilhada com os clubes, mas ele precisa ter o braço do Estado — afirmou.
O deputado reconheceu que o estádio apresenta limitações comerciais. Diferentemente do Estádio Nilton Santos, o Maracanã não consegue receber shows com frequência devido à preservação do gramado e ao calendário de jogos.
Flamenguista, Schleder brincou que, como torcedor, gostaria que o clube comprasse o estádio e não precisasse construir um novo. Como gestor, porém, defendeu a permanência do equipamento no patrimônio estadual.
Estádios de Flamengo e Vasco
O candidato também apoiou a participação do poder público nos projetos de construção do estádio do Flamengo e de reforma de São Januário.
Para Schleder, a venda de potencial construtivo é uma alternativa adequada por permitir a realização das obras sem a transferência direta de recursos públicos aos clubes.
Ele ressaltou que os valores obtidos pelo Vasco só poderão ser utilizados na reforma de São Januário. O objetivo é impedir que o dinheiro seja destinado ao pagamento de dívidas ou à contratação de jogadores.
Schleder defendeu ainda que as obras só comecem após o clube garantir os recursos necessários para concluir o projeto.
Bets precisam de regulamentação
Ao falar sobre as casas de apostas, Schleder reconheceu os problemas provocados pelo endividamento e pelo vício em jogos. Ele defendeu maior regulamentação do setor, mas alertou para os impactos de uma proibição imediata da publicidade.
Segundo o candidato, diversos clubes dependem atualmente dos patrocínios das bets. Uma retirada abrupta das marcas poderia criar dificuldades financeiras para equipes e competições.
— A questão do jogo precisa ser mais organizada. Existe jogo no mundo inteiro, mas é preciso regulamentar. Se proibir todas as propagandas de maneira radical, haverá um déficit em alguns lugares — avaliou.
Para Schleder, o desafio é estabelecer limites, garantir responsabilidade nas apostas e preservar a arrecadação gerada pelo setor.