terça-feira, 8 de setembro de 2026 - 3:45

Herbário da USP preserva mais de 270 mil espécies

O Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) abriga um dos dez maiores herbários do Brasil, uma verdadeira joia verde que preserva a história e o futuro da biodiversidade brasileira. Com cerca de 270 mil registros de plantas, musgos e fungos, esta coleção científica é uma referência internacional em pesquisa botânica.

O acervo inclui espécies coletadas em bairros da própria cidade de São Paulo, além de contar com mais de 23 mil registros só de algas, formando uma das maiores coleções do tipo em toda a América Latina. Algumas das amostras preservadas no herbário têm mais de 100 anos, embora existam herbários no mundo com registros de plantas conservadas há quase 500 anos.

Base para o conhecimento da biodiversidade

A importância deste herbário vai além da mera preservação. “A coleção científica que está dentro de um herbário é a base para o nosso conhecimento de biodiversidade”, explica Marcelo Devecchi, um dos pesquisadores do Instituto.

O processo de coleta, identificação e catalogação das amostras pelos botânicos e taxonomistas é fundamental para a produção de trabalhos científicos e a descrição de novas espécies.

Espécie de Petunia, no Rio Grande do Sul, gênero estudado por Goro Hashimoto • Arquivo/ USP

Recentemente, o herbário da USP recebeu um valioso acréscimo: a coleção do renomado botânico Goro Hashimoto. São 43 mil plantas, incluindo espécies raras e algumas que já não existem mais na natureza brasileira, como aquelas que faziam parte da área agora submersa pela represa da usina hidrelétrica de Itaipu.

Colaboração internacional e conservação

O herbário da USP não atua isoladamente. Ele faz parte de uma rede internacional de troca de dados científicos, contribuindo para estudos globais sobre mudanças ambientais. As amostras preservadas aqui podem auxiliar na preservação de florestas em outras partes do mundo.

“A gente faz a comparação desses dados do passado com o presente e consegue identificar muitas informações sobre preservação”, afirma Devecchi. Essas informações são cruciais para programas de restauração, permitindo o uso de espécies adequadas em projetos de conservação, especialmente em biomas como o Cerrado.

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