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Hotéis do Rio fazem treinamento para barrar bebidas falsificadas e proteger turistas


Equipes de hotéis do Rio de Janeiro participaram, na manhã desta quinta-feira (11), de um treinamento voltado à identificação de bebidas falsificadas na rede hoteleira. A capacitação aconteceu no hotel Arena Copacabana e foi organizada pela ABIH-RJ e pelo HotéisRIO, em parceria com a ABBD (Associação Brasileira de Bebidas Destiladas), a Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e o Procon-RJ. O conteúdo foi transmitido ao vivo para todo o estado, alcançando profissionais de diferentes regiões turísticas.

Viabilizado por meio da Escola Estadual de Defesa do Consumidor Ministro Waldemar Zveiter (EDCON), o treinamento teve como foco os trabalhadores de bares e restaurantes de hotéis, que estão na linha de frente do atendimento ao público. A proposta foi ensinar como reconhecer sinais de adulteração, entender os riscos à saúde dos consumidores e avaliar os impactos da falsificação de bebidas para o turismo e para a imagem da hotelaria fluminense.

O presidente da ABIH-RJ, José Domingo Bouzon, destacou a responsabilidade compartilhada entre setor privado e poder público. “A cidadania passa por identificar o que é falso, evitar que seja servido ao público e denunciar. Desta forma, apoiamos o trabalho das autoridades. É uma responsabilidade de todos nós. Que vocês repassem os conhecimentos aqui adquiridos para os seus colegas de trabalho”, afirmou.

Para o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Gutemberg de Paula Fonseca, o problema vai muito além do prejuízo financeiro. “A falsificação de produtos é um crime grave que coloca vidas em risco. Não há limite para a atuação dos criminosos, de rolamentos falsos que colocam a vida de motoristas em risco a bebidas adulteradas com produtos químicos desconhecidos. A partir desse treinamento, o que vocês farão é salvar vidas, ao seguirem as recomendações de especialistas em segurança e ficarem atentos ao que forem servir”, ressaltou.

O presidente do Procon-RJ, Marcelo Barboza, lembrou que o órgão, em conjunto com a Sedcon, vem intensificando ações contra contrabando, descaminho e falsificação de produtos. “O estado do Rio é conhecido mundialmente. Não podemos deixar que uma eventual imagem negativa corra o mundo. Por isso capacitações como essa, voltadas para quem está na ponta, como vocês, são tão importantes. Com conhecimento, vocês poderão garantir aos seus clientes, turistas, que a bebida que vocês vão servir é segura”, disse.

Já o presidente da ABBD, Eduardo Cidade, chamou atenção para o impacto do mercado ilícito na indústria e na saúde pública. “Nesses recentes casos de contaminação por metanol, tivemos pessoas gravemente afetadas e até mesmo mortes. Vocês, que são a alma do turismo do Brasil, têm que ser treinados para eliminar o mal que esses bandidos estão fazendo. Também estamos trabalhando no Congresso para endurecer as penas para os falsificadores”, destacou.

O subsecretário de Proteção aos Direitos Difusos, Coletivos e Individuais do Consumidor, Claudir Rodrigues, reforçou o papel estratégico das equipes de A&B (alimentos e bebidas) dos hotéis. “O setor hoteleiro do Rio é extremamente importante, não apenas para o estado, mas para o país. Temos todo interesse em andar de mãos dadas com vocês nessa cruzada contra a falsificação”, afirmou.

Responsável por conduzir o treinamento, o consultor de proteção de marcas da Diageo Brasil, Gabriel Lima, detalhou o cenário da falsificação. Segundo ele, os produtos mais visados são justamente os de maior apelo comercial. “São quadrilhas muito bem-organizadas, com estruturas e maquinário dignos de grandes fábricas. Além de não pagarem impostos, fraudando o Estado, e operando com trabalhadores em situação ilegal, os produtos colocam em risco a saúde pública”, explicou.

Lima ressaltou ainda que a melhor forma de evitar o consumo de bebidas adulteradas é comprar apenas de fornecedores homologados e observar pequenos detalhes das embalagens. Durante a apresentação, ele apontou diferenças em tampas, lacres, rótulos e até no aspecto do líquido. “O falsificador vai fazer o mais próximo possível do autêntico, mas com baixo custo, o que faz, por exemplo, com que as imagens dos rótulos não sejam de boa qualidade”, completou, reforçando a importância de um olhar atento de quem atende por trás do balcão.

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