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Igrejas evangélicas do Rio lideram articulações para 2026 e disputam o espólio político de Bolsonaro

Imagem gerada por Inteligência Artificial

A corrida presidencial de 2026 já começou e, nos bastidores, poucos grupos se movimentam com tanta antecedência e organização quanto as grandes igrejas evangélicas do Rio de Janeiro. Universal do Reino de Deus, Assembleia de Deus (em seus vários ramos) e ministérios independentes transformaram púlpitos, emissoras de rádio, redes sociais e bancadas parlamentares em instrumentos de poder. O objetivo é claro: ampliar influência no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa, definir alianças regionais e escolher quem herdará o capital político do bolsonarismo.

No centro dessa engrenagem está um tripé poderoso, formado pelo bispo Edir Macedo, líder da Universal; pelo bispo Samuel Ferreira, comandante da Assembleia de Deus Madureira; e pelo pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec). Juntos, embora em permanente disputa, eles comandam milhões de fiéis, dezenas de parlamentares e uma máquina de mobilização que nenhum partido político isoladamente consegue igualar.

O Rio e os militantes da fé

O estado do Rio de Janeiro tornou-se peça-chave dessa estratégia. Além de concentrar algumas das principais lideranças evangélicas do país, o Rio abriga igrejas com forte capilaridade territorial e histórico de influência direta sobre eleições proporcionais.

Na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a chamada bancada da bíblia reúne hoje cerca de 15 deputados estaduais, entre os 70 eleitos, espalhados por partidos como PL, Republicanos, União Brasil, PSD e MDB. No Congresso Nacional, parlamentares fluminenses ligados diretamente a igrejas evangélicas somam aproximadamente 10 deputados federais, além de interlocução constante com senadores de outros estados alinhados ao mesmo campo ideológico.

Os temas prioritários desse grupo são recorrentes: oposição à pauta de costumes da esquerda, combate ao aborto, resistência a políticas de gênero, defesa da liberdade religiosa, endurecimento penal e crítica ao Supremo Tribunal Federal. A economia entra no discurso como valor moral, com empreendedorismo, meritocracia e rejeição a políticas assistenciais amplas.

Assembleia de Deus: maior igreja do país pode ressuscitar Eduardo Cunha

Com cerca de 12 milhões de fiéis no Brasil, segundo dados do IBGE, a Assembleia de Deus é o maior campo de batalha dessa disputa. Fragmentada em convenções e ministérios autônomos, a igreja abriga projetos políticos distintos.

O maior e mais discreto grupo é a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), liderada pelo pastor José Wellington Bezerra, que mantém 14 deputados federais e três senadores ligados à sua estrutura. Apesar da força numérica, a CGADB evita protagonismo midiático e atua nos bastidores.

Já a Assembleia de Deus Madureira, comandada por Samuel Ferreira, aposta numa estratégia mais agressiva. Hoje, o grupo conta com sete deputados federais e um senador, além de influência crescente em estados-chave. O plano é formar candidatos dentro da igreja, financiá-los e manter controle político após a eleição.

É nesse contexto que ressurge Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, cassado em 2016 e ligado à Assembleia de Madureira. Afastado por corrupção, Cunha trocou seu reduto eleitoral do Rio para Minas Gerais, de onde articula seu retorno ao Congresso, com apoio direto da cúpula da igreja e investimento em rádios evangélicas como moeda política.

Universal: forte poder midiático e dona de partido

A Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, joga outro jogo. Surgiu no Rio de Janeiro, em 1977, no bairro do Méier (Zona Norte) e hoje é dona de um império que inclui a TV Record, emissoras de rádio, banco e mais de uma centena de empresas, a Universal opera politicamente por meio do Republicanos, partido que hoje reúne 44 deputados federais, quatro senadores e centenas de prefeitos.

A estratégia para 2026 é pragmática. A Universal apoiou Jair Bolsonaro em 2018 e 2022, atacou o presidente Lula duramente, mas agora evita confrontos diretos com o Palácio do Planalto. O objetivo é manter portas abertas, preservar interesses econômicos e decidir o apoio presidencial apenas na reta final da campanha.

O tabuleiro nacional e a sucessão presidencial

No plano nacional, o campo conservador ainda busca um nome viável para substituir Jair Bolsonaro, inelegível até 2030. Entre os preferidos dos evangélicos estão o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) e, em cenários alternativos, Michelle Bolsonaro (PL).

As igrejas evangélicas, porém, resistem a um alinhamento automático. Cada grupo negocia apoio conforme vantagens regionais, espaço no Congresso e influência sobre políticas públicas. O consenso é apenas um: não apoiar um projeto identificado com a esquerda.

Silas Malafaia, o pastor do confronto

Nenhuma figura simboliza melhor essa radicalização do que Silas Malafaia. Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia se consolidou como o mais histriônico, agressivo e midiático dos pastores brasileiros. Dono de um discurso inflamado, tornou-se um dos principais porta-vozes do bolsonarismo religioso.

Organizador de atos políticos, defensor da anistia a Bolsonaro e crítico feroz do STF e do governo Lula, Malafaia não esconde sua ambição de herdar o espólio político da direita evangélica. Embora negue intenção de disputar cargos, atua como mentor, fiador ideológico e mobilizador eleitoral, com influência que ultrapassa sua própria denominação.

Seu estilo confrontacional, baseado em ataques diretos, retórica emocional e polarização, rende audiência, fideliza seguidores e o mantém no centro do jogo político, ainda que gere resistências até dentro do meio evangélico.

Evangélicos em números

Brasil

  • Total de evangélicos: cerca de 31% da população (cerca de 65 milhões de pessoas). (IBGE/2022)
  • Assembleia de Deus: aproximadamente 12 milhões.
  • Igrejas Batistas: cerca de 5 milhões.
  • Universal do Reino de Deus: 1,8 milhão, aproximados.
  • Igreja do Evangelho Quadrangular: aproximadamente 2 milhões.

Estado do Rio de Janeiro

  • Evangélicos: cerca de 29% da população fluminense (5 milhões, aproximadamente).
  • Maior presença: Assembleia de Deus (diversos ramos)
  • Forte crescimento de igrejas pentecostais e neopentecostais nas zonas Norte e Oeste e Baixada Fluminense.

Em 2026, mais do que votos, estará em disputa quem fala em nome dessa multidão de obreiros e quem transformará fé em poder político.

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