A chegada massiva de veículos chineses provocou uma verdadeira guerra de preços no mercado automotivo brasileiro. O reflexo disso já é visto nas concessionárias cariocas, que estão aplicando descontos agressivos e bônus generosos para segurar o cliente. No Rio de Janeiro, as concessionarias estão localizadas em áreas como Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Campo Grande.
O motivo da correria dos gerentes é matemático: de acordo com a Anfavea, das 280.600 unidades importadas que desembarcaram no país no primeiro semestre, quase a metade veio da China (140.800 veículos). Gigantes como a BYD (com 99 mil emplacamentos) e a GWM (com 35 mil) viraram as queridinhas de quem busca tecnologia e economia de combustível, forçando as marcas tradicionais a reagirem.
Quais são as melhores ofertas no Rio?
Trabalhadores de concessionárias do Rio confirmam que a ordem é não perder venda para os chineses. Veja as principais estratégias de desconto e bônus na troca de usados que estão valendo:
- Toyota: A marca vem oferecendo condições agressivas. Há um bônus de R$ 10 mil na entrega de um usado para quem compra o Yaris Cross XR. Para quem busca modelos maiores, a bonificação na troca pode chegar a impressionantes R$ 40 mil no caso da Hilux Cabine Dupla SRX Plus AT.
- Fiat: Em uma das reduções mais drásticas do mercado, o valor do Fastback Impetus Turbo despencou de R$ 173.490 para R$ 134.990 — um corte de quase R$ 40 mil reais. A Stellantis (dona da marca) afirma que as condições fazem parte das celebrações de 50 anos da Fiat no país, mas o mercado lê como pura estratégia de sobrevivência.
- Volkswagen: A montadora alemã passou o rodo na tabela do T-Cross, cortando o preço do SUV em cerca de R$ 10 mil, e colocou nas ruas a campanha “Feirão dos Feirões Volks Vale+”.
- Honda: A marca japonesa entrou na briga oferecendo até R$ 15 mil de bônus na avaliação do carro usado do cliente que decidir levar um modelo zero quilômetro.
Efeito-Dominó: Mercado de usados e seminovos também recua
A boa notícia para o bolso do carioca não se restringe aos modelos 0km acima de R$ 100 mil. Quem está de olho em um seminovo também vai pagar menos.
Especialistas do setor explicam que o mercado automotivo funciona como uma engrenagem em cadeia. Como a referência de preço do carro usado é sempre o modelo novo, quando as montadoras cortam o valor do zero, o preço do seminovo sofre uma regressão natural e imediata.
“Hoje você tem um veículo chinês de maior porte competindo com um modelo menor fabricado no Brasil. Esses carros chegam mostrando suas qualidades e dizendo ao mercado: ‘Eu também sou uma boa opção, tenho um preço extremamente competitivo’”, analisa Milad Neto, diretor-executivo da K.Lume Consultoria Automobilística.
Com mais opções na mesa, maior tecnologia embarcada e o mercado tradicional acuado, o poder de barganha na hora de fechar o negócio voltou para as mãos do consumidor.