Apontado pela Polícia Federal como lobista e captador do Banco Master junto ao Rioprevidência, o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues já havia sido condenado pela Comissão de Valores Mobiliários por fraude em negócios ligados ao LSH Hotel, antigo hotel licenciado para usar o nome de Donald Trump, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. As informações são do Metrópoles.
A condenação da CVM ocorreu em dezembro de 2024 e envolveu uma fraude estimada em R$ 17,7 milhões. Ricardo Siqueira Rodrigues foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira (26/05), em nova fase da investigação sobre aportes da Rioprevidência no Banco Master.
Segundo a decisão da CVM, Ricardo Siqueira Rodrigues e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho foram condenados por “operação fraudulenta, atuação irregular no mercado de valores mobiliários e quebra do dever de diligência”. Os dois eram sócios no projeto do LSH Hotel, empreendimento que chegou a ter licença para usar a marca Trump no Rio.
A fraude total apontada no projeto chegou a R$ 45 milhões. A CVM acusou os dois de inflarem valores ligados ao empreendimento.
“Paulo Filho participou da elaboração do laudo, e Ricardo Siqueira, ciente dos mecanismos empregados para inflar os preços, votou por aprová-lo, de modo que tinham consciência de que havia vantagem indevida no que estavam recebendo e, por seus papéis na estrutura, fica bem claro que queriam aquele resultado”, diz a decisão da CVM, segundo reportagem do Metrópoles.
PF aponta atuação no Rioprevidência
Agora, Ricardo Siqueira Rodrigues aparece nas investigações da Polícia Federal sobre os aportes feitos pela Rioprevidência no Banco Master. Na decisão que autorizou as buscas, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontou que o empresário teria atuado na intermediação política e operacional para a captação de recursos.
“No caso do Rioprevidência, é lhe atribuída função de intermediação política e operacional da captação, tendo afirmado a Daniel Vorcaro que resolveria os trâmites internos, restando pendente apenas o alinhamento político”, afirmou André Mendonça, com base em relatório da Polícia Federal.
De acordo com a investigação, Ricardo Siqueira Rodrigues operava a empresa Mídias Promotora, registrada em nome de um laranja. A empresa teria recebido R$ 126 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.
A PF afirma que o negócio era usado para repassar pagamentos a envolvidos no esquema, com aparência de legalidade.
Operação mira aportes no Banco Master
A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira, apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e aportes bilionários feitos com recursos do Rioprevidência.
A investigação mira um possível aporte de R$ 3,6 bilhões ao banco, com anuência de ex-diretores da instituição previdenciária e suspeita de participação do ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), também alvo de mandado de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, os investimentos teriam ocorrido em desacordo com a política de investimentos do regime de previdência e com exigências regulatórias.
Cláudio Castro já havia sido alvo de outro mandado de busca e apreensão neste mês, em investigação sobre suposto beneficiamento à Refit.