quinta-feira, 16 de abril de 2026 - 2:10

Jorge Jaber – Vacinas: pela saúde das novas gerações

Livro trata da experiência vacinal do Rio e como a vacinação foi alancada na cidade – Edu Kapps (SMS)

O Dia das Crianças já passou, mas que tal dar outro presente para os filhos? Desta vez, um que não estraga, fica pequeno ou perde a graça, além de agradar a meninas e meninos, ajudar no desenvolvimento físico e mental e, acredite, ser gratuito: imunidade contra doenças como poliomielite, difteria, coqueluche, tétano, sarampo, caxumba e rubéola, entre outras. Outubro é o mês da Campanha Nacional de Multivacinação, focada em crianças de até 15 anos, e neste sábado, dia 18, os postos de saúde de todo o país abrirão as portas, num esforço extra para proteger a saúde dos brasileiros.

Em épocas menos atribuladas, ressaltar os benefícios da vacinação soaria, se não ridículo, desnecessário. Levar os filhos para receber os imunizantes era um momento de alegria e alívio, uma medida quase tão natural quanto amamentá-los ou inscrevê-los na escola. Infelizmente, esse quadro mudou: uma campanha massiva e criminosa de desinformação, movida sabe-se lá por que interesses, plantou na cabeça de boa parte da população não só a dúvida sobre a eficácia das vacinas, mas também um medo irracional de seus possíveis efeitos colaterais. Parece inacreditável, mas funcionou.

Os primeiros sinais do fenômeno surgiram em 2016, quando a cobertura vacinal ficou abaixo dos 60%, depois de um longo período acima dos 70%. Em 2021, chegamos aos 52,1%, o menor índice em duas décadas, mas nos dois anos seguintes registramos uma pequena mas animadora recuperação, embora mais de 65% dos municípios não tenham alcançado a meta de 95% de vacinas no primeiro ano de vida. Em 2024, confirmando a tendência de queda, voltamos à lista dos 20 países com mais crianças não vacinadas no planeta, segundo dados da Unicef e da Organização Mundial da Saúde.

Uma notícia frustrante para um país antes orgulhoso do status de referência na área e que hoje convive com o fantasma da volta de doenças controladas ou erradicadas. Entre elas, a paralisia infantil, da qual estamos livres desde 1989, mas cujo vírus continua em circulação na Ásia e África, e a difteria, coqueluche e tétano, controladas a partir dos anos 70. Com a vacinação bem abaixo da meta de 95%, estamos de portas abertas para seu retorno. O mesmo ocorre com o sarampo – que reapareceu no país em 2018, deixando um saldo de 40 mortos em quatro anos – e com a febre amarela. 

As vacinas, ao contrário do que pregam as fake news, são seguras, fruto de pesquisas sérias, fabricadas sob rígido sistema de controle e só liberadas ao público depois de testes rigorosos. Há, certamente, episódios pontuais de rejeição, provocados por uma incompatibilidade específica do organismo a um de seus componentes, não por uma característica intrínseca do produto.  Nada, porém, que contraindique seu uso pela maioria expressiva de todos nós. Pelo contrário: a erradicação ou o controle das enfermidades acima – e de outras, como varíola e tétano – é a maior prova de seus benefícios.

Mais que uma simples medida de proteção individual, vacinar os filhos é uma expressão de cidadania, muito louvada mas pouco exercida entre nós. A vacinação leva à imunidade de grupo, dificultando a circulação de vírus e bactérias, o que protege até os que não podem se imunizar, como recém-nascidos ou pessoas com imunodeficiências e outras restrições. Ela também diminui a probabilidade de surtos e epidemias, otimizando o atendimento e reduzindo os gastos do nosso brioso mas sobrecarregado Sistema Único de Saúde. Uma demonstração, como se vê, de solidariedade coletiva.

Neste sábado, portanto, deixe em casa os temores infundados e coloque em dia o esquema vacinal de seus filhos. Eles merecem a mesma proteção que, anos atrás, nossos pais nos ofereceram. Nosso programa de imunização, um dos mais eficientes e celebrados do planeta, é um patrimônio de todos os brasileiros, construído ao longo de décadas de muito trabalho e dedicação de milhares de profissionais, sempre com base na Ciência, independente de partidos e ideologias. A saúde das próximas gerações depende desse gesto de inteligência, prevenção e amor ao próximo.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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