
O ex-prefeito de Mesquita, Jorge Miranda (PL), elevou o tom contra o deputado federal Dr. Luizinho (PP) e escancarou uma fissura na antiga base política de Cláudio Castro. Em um evento recente na Baixada Fluminense, Miranda chamou o parlamentar de “mau-caráter” e fez críticas duras à condução da Saúde no estado. O episódio ganhou força nos bastidores porque atinge um dos grupos de maior influência política na região e pode produzir efeitos na articulação em torno de Douglas Ruas.
A fala de Jorge Miranda veio meses depois de Mesquita registrar uma queda brusca nos repasses estaduais para a Saúde. Segundo dados publicados no fim de 2025, o município passou de cerca de R$ 100 milhões em 2024 para pouco mais de R$ 3 milhões em 2025, uma redução de 96%. Na cidade, a leitura política é de que o corte não foi apenas técnico.
No discurso que circula nas redes, Miranda atribui o desgaste à sua pré-candidatura a deputado federal. A avaliação dele é que essa movimentação desagradou Dr. Luizinho, nome de peso eleitoral na Baixada Fluminense e figura ainda associada ao comando político da Saúde estadual, embora hoje exerça mandato na Câmara dos Deputados.
Além de atacar o deputado, o ex-prefeito convocou a população a pedir a saída da secretária estadual de Saúde, Claudia Mello. Ela assumiu a pasta em 2023, quando substituiu Dr. Luizinho no governo estadual, após indicação do então secretário ao governador Cláudio Castro.
“Basta pegar os números. De 27 estados, a saúde do estado do Rio está em vigésimo-quinto. Eu não sei como esse rapaz, com um desempenho medíocre desse, que leva o povo fluminense à morte, ainda se sustenta no governo”, disse Jorge Miranda. Dr. Luizinho, por sua vez, já afirmou que não tem influência sobre os repasses da Secretaria estadual de Saúde aos municípios.
O choque público entre os dois muda o ambiente político em Mesquita e na Baixada. Não é só uma troca de acusações. É um sinal mais claro de que a antiga engrenagem montada sob Cláudio Castro já não opera com a mesma unidade, num momento em que alianças regionais começam a ser revistas de olho na eleição deste ano.
Com informações do Tempo Real