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Justiça determina bloqueio de bens e acelera desocupação dos prédios da Santa Casa na Praia do Flamengo

Foto: Reprodução/GoogleMaps

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 100 mil em bens de invasores que ainda ocupam os edifícios Anchieta, Barth e Nóbrega, conhecidos como “Trigêmeos do Flamengo”. A decisão é do juiz trabalhista Igor Rodrigues e tem validade até o próximo dia 18, quando está marcada a reintegração de posse dos imóveis.

O conjunto em estilo Art Déco foi por décadas de propriedade da Santa Casa de Misericórdia, mas acabou incluído pela Justiça do Trabalho na lista de bens destinados ao pagamento de dívidas trabalhistas da instituição. Em leilão realizado em 2023, os prédios foram arrematados por R$ 75 milhões pelo Banco BTG e pela Performance Empreendimentos Imobiliários, que planejam um projeto de retrofit e, posteriormente, devem lançar um empreendimento de alto padrão.

A Santa Casa nunca reconheceu a validade das negociações alegadas por moradores, que afirmam ter comprado as unidades de intermediários ligados à entidade. A instituição sustenta que a maior parte das ocupações é fruto de invasão e que a posse precisa ser restituída integralmente para garantir a liquidação das dívidas trabalhistas.

Desde a venda, os despejos vêm ocorrendo de forma gradual. Em maio, parte dos moradores assinou um acordo temporário que previa o pagamento de R$ 2.700 mensais, valor que englobava aluguel e condomínio, até a saída definitiva. Outros resistem com apoio da FIST, federação ligada ao Movimento Sem Teto, conhecida por atuar em invasões de imóveis em diferentes bairros do Rio.

A localização dos prédios, que estão em péssimo estado de conservação, em um dos metros quadrados mais caros do Flamengo, é vista como estratégica para o mercado imobiliário. Projetados pelo arquiteto Robert Prentice e doados por Alberto Barth à Santa Casa, os prédios chamam atenção pelo estilo arquitetônico, varandas arrojadas e plantas amplas. Diferenciais como vagas de garagem no subsolo e nas ruas internas reforçam o potencial de valorização após a requalificação.

De acordo com o corretor Marcos Queiroga, especialista na região e consultado pelo DIÁRIO DO RIO, o contraste entre os valores de mercado e os preços pagos em negociações contestadas é evidente. Ele estima que um apartamento de dois quartos no quarteirão não custe menos de R$ 1 milhão, enquanto os de três quartos giram em torno de R$ 1,5 milhão. Já os de quatro quartos podem alcançar R$ 2,5 milhões, a depender da vista. “Duzentos e sessenta mil reais não compra nada naquele trecho do Flamengo. Com sorte, pagaria um conjugado em localização inferior”, afirma.

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