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Larissa Salvador: De imigrante ilegal nos EUA à advogada de imigração de famosos

Larissa Salvador, de 35 anos, construiu uma carreira vitoriosa nos EUA / Crédito: Divulgação

Nascida no bairro de Madureira, na Zona Norte carioca, e criada no Complexo do Alemão, onde passou os últimos anos da sua infância, Larissa Salvador e sua família se viram obrigadas a deixar o Rio de Janeiro em busca de proteção e de melhores oportunidades de vida.

Em 2001, quando tinha apenas 11 anos, sua mãe comunicou que iriam para os Estados Unidos para se encontrar com patriarca da família, que lá estava há quase dois anos. O pai de Larissa havia saído do Rio após presenciar um crime e passar a ser perseguido. A ideia era pedir asilo político junto ao governo norte-americano.

A mãe de Larissa Salvador não tinha orientação alguma sobre imigração; por isso, perderam o status legal no país e viveram de forma ilegal por 13 anos, enfrentando o medo e a incerteza. Os anos de clandestinidade e as dificuldades enfrentadas, no entanto,não fizeram a jovem desanimar ou deixar de ansiar por um futuro grandioso:

“Aos 16 anos, tomei a decisão que mudou minha vida: queria ser advogada de imigração para evitar que outras famílias passassem pelas dificuldades que vivi”, conta Larissa, que abriu o escritório Salvador Law, em Boca Raton, na Flórida, com o propósito de ajudar brasileiros que, como sua família, procuravam melhores condições de vida no país. “Nosso trabalho é garantir que esses imigrantes possam viver legalmente e com segurança, sem o risco de deportação”, complementa a carioca, que há 24 anos mora na América.

De imigrante em condição irregular, Larissa Salvador tornou-se uma advogada de imigração respeitada, com clientes brasileiros famosos, como Dinho Ouro Preto, Whindersson Nunes, Anavitória e até integrantes do grupo Sorriso Maroto. A atuação eficiente rendeu-lhe não apenas prestígio, mas também um ótimo retorno financeiro. Em 2024, o seu escritório, em funcionamento há cinco anos, chegou a faturar o equivalente a quase 5.5 milhões de reais.

Atualmente com 35 anos, Larissa Salvador superou desafios e transformou a sua trajetória de vida, de forma que muitos acreditariam improvável. A advogada compartilhou uma pouco da sua história com o DIÁRIO DO RIO para mostrar que, com objetivos claros, empenho e trabalho, é possível mudar uma realidade de vida desfavorável e ainda ajudar outras pessoas a construírem realidades mais produtivas.

DIÁRIO DO RIO: Como era a sua vida no Complexo do Alemão e quais foram os motivos que levaram a senhora e a sua família a saírem do Rio de Janeiro?

Larissa Salvador: Nasci em Madureira, mas foi no Complexo do Alemão que vivi os últimos anos da minha infância. Apesar de existir algo profundamente acolhedor naquela convivência, minhas memórias também têm outro lado, o da violência. Lembro dos tiroteios que me impediam de brincar na rua. Quando eu tinha 11 anos, minha mãe me disse que iríamos nos mudar para os Estados Unidos. A ideia era que meu pai solicitasse asilo político. Ele havia sido testemunha de um crime e vinha sendo perseguido e ameaçado. Na época, eu não compreendia o que significava mudar de país. Sabia apenas que iria reencontrar meu pai, que já morava lá havia quase dois anos.

DDR: Ao chegar aos EUA, quais foram as principais dificuldades enfrentadas por vocês?

L.S: Vieram os choques culturais, os emocionais e até os naturais. O primeiro terremoto me pegou completamente despreparada. Depois de seis meses, decidimos voltar ao Brasil, pois a minha mãe enfrentava uma depressão profunda. Antes, visitamos uma amiga na Flórida, na cidade de Deerfield Beach. Foi ali que algo mudou. Diferente da Califórnia, havia brasileiros por toda parte. Sotaques familiares. Uma sensação inesperada de proximidade. Meus pais decidiram ficar.

DDR: Como foi perder o status de legalidade no país e viver 13 anos na ilegalidade?

L.S: Quando chegou o momento de entrar na faculdade, a falta de documentação pesou. Meus colegas tentavam bolsas e universidades, enquanto eu, que estava indocumentada, não podia disputar bolsas, nem escolher livremente o meu futuro. Foi ali que entendi como a ausência de status migratório pode ser limitadora

DDR: Todos os imigrantes enfrentam os mesmos problemas, ou nacionalidades específicas sofrem mais?

L.S: A grande maioria dos imigrantes enfrentam os mesmos problemas de legalização. Algumas nacionalidades têm algumas facilidades, por conta de leis específicas.  Até o final do governo Obama, os imigrantes só precisavam chegar até a terra seca para conseguir dar entrada em benefícios específicos. O Obama acabou com isso no final do seu mandato. Então, de forma geral, todos enfrentam os mesmos problemas.

DDR: Como a política de imigração do governo Trump afetou a realidade desses grupos nos EUA?

L.S: A política do Trump tem afetado as comunidades de imigrantes. O que eu tenho visto é que todo mundo vive num estado de pânico. Comparando a minha situação no passado com a atual, as coisas eram bem mais simples. Hoje em dia, as pessoas têm mais razão para estarem preocupadas. A atual administração decidiu correr atrás de imigrantes por toda e qualquer coisa. Eles não estão somente focados em pessoas com histórico criminal. Eles estão tentando subir os números de deportação com todo tipo imigrante. 

DDR: A senhora abriu um escritório de advocacia especializado no assunto, o Salvador Law. Como ele atua junto aos imigrantes, sobretudo cariocas e fluminenses? O que leva essas pessoas a quererem sair do Rio? 

L.S: Eu não tenho um trabalho específico para imigrantes cariocas, apesar de todas as pessoas que trabalham comigo serem cariocas, exceto meu esposo, que é de Salvador, e meus filhos que são norte-americanos. As pessoas saem do Rio por falta de segurança, de oportunidade de crescimento profissional e nos negócios.  Eu amo o Rio. Eu amo visitar o Rio. Eu realmente acredito que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais lindas do mundo. Para mim, a falta de segurança, no Rio de Janeiro, é extremamente assustadora. E olha que já era assim há 25 anos, quando eu saí da cidade.

DDR: Quais são as principais orientações para que brasileiros não tenham problemas de permanência nos Estados Unidos?

L.S: Contratar um advogado especializado é a primeira coisa. A partir daí, você vai saber quais são as suas opções para migrar para os Estados Unidos. Fora isso, eu diria para não vir para os Estados Unidos, vendendo tudo o que tem, sem antes fazer uma pesquisa sobre o mercado em que se quer atuar. O erro de muitas pessoas é se desfazerem de tudo, sem terem uma opção de ficar legalmente, e depois não terem condições de voltar ao Brasil.

O trabalho de Larissa Salvador tem alcançado reconhecimento no disputado norte-americano. Ela recebeu o prêmio Top 40 Under 40 pela National Black Lawyers Association; o título de Personalidade Feminina do Ano pelo International Business Institute; e foi nomeada entre os Advogados Mais Influentes de 2025, com destaque no The Washington Post.

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