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Laura Carneiro defende internação involuntária de dependentes químicos

A deputada federal Laura Carneiro (PSD), candidata à reeleição pelo Rio de Janeiro, defendeu a internação involuntária de dependentes químicos em situações nas quais a pessoa não possui condições de decidir sobre o próprio tratamento. A declaração foi dada durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO, na qual a parlamentar também falou sobre segurança pública, população em situação de rua, violência contra a mulher e financiamento da assistência social.

Ex-secretária municipal de Assistência Social nas gestões de Cesar Maia e Eduardo Paes, Laura afirmou que o poder público precisa tentar oferecer tratamento mesmo quando a pessoa, devido à dependência ou a transtornos associados, recusa o atendimento.

— Acho que tem que internar. Tem que tratar, tem que tentar. Não sou a favor da questão manicomial, que é complicada, mas não tentar é muito triste — declarou.

A deputada ressaltou que não defende a retomada dos antigos manicômios ou de práticas que violavam os direitos dos pacientes. Para ela, é necessário encontrar um equilíbrio entre a proteção da liberdade individual e a responsabilidade do Estado diante de pessoas que colocam a própria vida em risco.

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Mulher foi atropelada duas vezes

Durante a entrevista, Laura relembrou o caso de uma mulher atendida pela assistência social em Campo Grande, na Zona Oeste. Segundo a parlamentar, ela apresentava problemas de saúde mental, recusava o acolhimento e costumava correr entre os automóveis.

— Ela foi atropelada duas vezes porque saía correndo no meio dos carros. Você sabia que ela tinha um problema e não podia fazer quase nada — relatou.

Laura reconheceu que a resistência à internação involuntária está relacionada ao histórico de maus-tratos, eletrochoques e violações cometidas em instituições psiquiátricas. A candidata argumentou, no entanto, que esses abusos não podem impedir o Estado de oferecer tratamento adequado.

— Nem tanto lá, nem tanto cá. Você tem que encontrar o meio-termo — afirmou.

Abrigos que aceitem animais e casais

A deputada também defendeu a criação de abrigos que permitam à população em situação de rua permanecer com seus animais de estimação. Segundo ela, muitas pessoas recusam o acolhimento porque não querem abandonar os cães ou gatos que as acompanham.

— Muitas vezes, ele não sai da rua porque quer levar o animalzinho. E é justo. Aquele é o filho dele. Ele não sai da rua se não puder levar — disse.

Laura afirmou que deixou preparado, quando comandava a Secretaria Municipal de Assistência Social, um projeto para adaptar a rede de acolhimento a essa realidade.

Outro problema apontado é a falta de unidades destinadas a casais sem filhos. Atualmente, homens e mulheres podem ser encaminhados para abrigos separados, fazendo com que muitos prefiram permanecer nas ruas.

— A gente acaba separando o homem e a mulher, e eles não querem. Tínhamos abrigo de família, principalmente para famílias com crianças, mas não tínhamos abrigo para casais — explicou.

Modelo oferece moradia antes do tratamento

Laura também citou o modelo conhecido como Housing First, ou Moradia Primeiro, que oferece uma residência antes de exigir que a pessoa supere problemas como dependência química, desemprego ou transtornos mentais.

A proposta parte do princípio de que a estabilidade proporcionada pela moradia facilita o acesso aos demais serviços públicos. Segundo a candidata, um projeto inspirado no modelo começou a ser elaborado durante sua passagem pela secretaria, mas avançou de forma limitada após sua saída.

Para Laura, o acolhimento precisa estar acompanhado de assistência médica, psicológica e social. Ela também defendeu políticas específicas para jovens que completam 18 anos depois de passar grande parte da infância em abrigos.

Segurança deve ser prioridade do próximo governador

Questionada sobre qual deveria ser a primeira medida do próximo governador do Rio de Janeiro, Laura apontou a segurança pública.

— Segurança, porque, sem ela, você não consegue fazer nada — respondeu.

A candidata afirmou que tiroteios e disputas territoriais impedem o funcionamento de escolas, unidades de saúde e programas sociais. Como exemplo, mencionou as cozinhas comunitárias, que distribuem refeições para famílias em situação de vulnerabilidade.

— Se a pessoa não pode sair de casa porque tem um tiroteio, o que ela faz? Não come. Como alguém pode prestar atendimento de saúde se tiver que fechar o posto? Como a criança vai para a escola se tiver que fechar a escola? — questionou.

Para Laura, a bancada federal do Rio precisa atuar de forma conjunta para dar condições ao próximo Governo do Estado de enfrentar o problema.

A parlamentar, que participou da comissão de acompanhamento da intervenção federal na segurança pública do Rio em 2018, avaliou que poucas mudanças estruturais foram realizadas desde então.

“O SUAS nunca funcionou como deveria”

Ex-secretária de Assistência Social em dois momentos distintos, Laura criticou o financiamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

O sistema prevê a divisão de responsabilidades entre os governos federal, estaduais e municipais. Segundo a deputada, porém, os repasses da União são insuficientes e o Estado do Rio não cumpre adequadamente sua participação.

— Se não fossem os prefeitos, o Estado do Rio de Janeiro não teria praticamente nenhum atendimento de assistência. O serviço é feito com dinheiro do Tesouro municipal — afirmou.

A candidata destacou que, diferentemente das áreas de saúde e educação, a assistência social não possui uma vinculação constitucional capaz de garantir um percentual mínimo dos orçamentos públicos.

Laura citou a Proposta de Emenda à Constituição 383, aprovada na Câmara dos Deputados, que estabelece recursos mínimos para o SUAS. O texto ainda depende da análise do Senado.

Segundo a parlamentar, a falta de financiamento prejudica desde a manutenção dos abrigos até a valorização dos assistentes sociais. Laura também mencionou a aprovação, na Câmara, de propostas relacionadas ao piso salarial e à jornada de 30 horas da categoria.

Estado deve coordenar, não disputar com os municípios

Laura defendeu ainda a reconstrução da política estadual de assistência social. Para ela, o Governo do Estado deve coordenar os programas, oferecer apoio técnico e transferir recursos, deixando a execução direta dos serviços sob responsabilidade das prefeituras.

— O Estado não tem que disputar com o município a política. Tem que ajudar os municípios a fazerem a política — declarou.

A deputada criticou iniciativas estaduais que criam equipamentos próprios de acolhimento sem integração com as administrações municipais. Na avaliação dela, o papel estadual deve ser identificar as dificuldades de cada município e garantir condições para que os serviços funcionem.

Violência contra a mulher e disseminação do ódio

A proteção às mulheres ocupa parte central da atuação parlamentar de Laura Carneiro. Durante a entrevista, ela relacionou o aumento dos casos de feminicídio à disseminação de discursos de ódio e ao que classificou como um retrocesso no debate público.

— É o ódio, a disseminação do ódio. Isso não pode dar bom — afirmou.

Laura destacou sua participação na aprovação de leis sobre importunação sexual, violência vicária, proteção de crianças testemunhas de crimes e atendimento às vítimas de violência doméstica.

A parlamentar também mencionou mudanças processuais que evitam que uma mulher seja obrigada a participar de uma audiência diante do homem acusado de tentar matá-la.

Para Laura, no entanto, o endurecimento da legislação não é suficiente. A deputada defende uma rede de acolhimento com psicólogos, assistentes sociais, abrigos sigilosos e auxílio financeiro para que as mulheres consigam romper a dependência econômica em relação aos agressores.

— A legislação sozinha não funciona. É preciso ter políticas públicas de atendimento e acolhimento no município e no Estado — disse.

A candidata também falou sobre um projeto que permitiria à Justiça autorizar a retirada de recursos de uma conta conjunta para que a mulher vítima de violência consiga deixar a residência e reconstruir a própria vida.

Proteção de crianças e adolescentes

Laura ressaltou a lei do depoimento especial, que estabelece procedimentos específicos para ouvir crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.

A medida procura evitar que a criança seja obrigada a repetir diversas vezes o relato do crime, reduzindo o risco de uma nova traumatização durante investigações e processos judiciais.

Segundo a parlamentar, crianças expostas à violência doméstica também precisam receber acompanhamento psicológico, mesmo quando não foram diretamente agredidas.

— Como vai crescer esse menino achando que é natural o pai bater na mãe? Isso se reflete lá na frente — afirmou.

Laura defende que o agressor seja responsabilizado pelos custos do tratamento psicológico da mulher e dos filhos afetados pela violência.

Plataformas devem responder por conteúdos criminosos

A regulamentação da internet e o uso de inteligência artificial também foram abordados na entrevista. Laura afirmou que a legislação brasileira ainda não conseguiu acompanhar a velocidade das novas formas de violência digital.

A deputada citou perseguições, chantagens, divulgação de imagens íntimas e montagens produzidas com inteligência artificial.

— A inteligência artificial é impressionante porque você acha que aquilo é verdade. As pessoas não verificam e repassam. Você pode destruir uma história e a vida de alguém com essa brincadeirinha — alertou.

Questionada sobre a responsabilização das plataformas digitais que demoram a retirar conteúdos criminosos, Laura respondeu que as empresas devem ser responsabilizadas.

A candidata também demonstrou preocupação com a utilização de imagens e vozes manipuladas durante as eleições de 2026.

Emendas para hospitais do interior

Laura afirmou que destina aproximadamente metade de suas emendas parlamentares para a saúde, com atenção especial aos hospitais filantrópicos do interior do Estado do Rio.

Segundo a deputada, essas unidades são responsáveis por grande parte do atendimento nos municípios menores, mas enfrentam dificuldades financeiras devido aos valores pagos pela tabela do Sistema Único de Saúde.

A parlamentar também utiliza emendas para levar carretas de exames aos municípios. Os equipamentos oferecem mamografias, ultrassonografias, biópsias, tomografias e ressonâncias magnéticas.

Laura citou ainda recursos destinados a projetos esportivos, compra de máquinas agrícolas, Apaes, instituições de atendimento a crianças e adolescentes e restauração de igrejas.

Filha de Nelson Carneiro

Filha do ex-senador Nelson Carneiro, um dos principais responsáveis pela aprovação do divórcio no Brasil, Laura afirmou que o sobrenome abriu portas, mas também aumentou a cobrança sobre sua atuação.

— Eu tenho uma responsabilidade maior. Tenho o sobrenome Carneiro e preciso honrá-lo todos os dias — declarou.

A deputada disse ter aprendido com o pai a importância da legislação e do cuidado com o dinheiro público. Ela também criticou o ambiente de polarização, ofensas e “histeria” presente na política atual.

Laura iniciou a carreira como vereadora do Rio, comandou a Assistência Social nas administrações de Cesar Maia e Eduardo Paes e cumpre atualmente mandato na Câmara dos Deputados.

Apoio a Eduardo Paes

Na disputa pelo Governo do Rio, Laura declarou apoio a Eduardo Paes (PSD), a quem chamou de sua principal referência política na atualidade.

A deputada afirmou que pretende integrar uma bancada capaz de ajudar Paes caso ele seja eleito governador, especialmente nas áreas de segurança, infraestrutura, assistência social e defesa dos royalties do petróleo.

Laura também criticou Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos), adversários de Paes na disputa estadual.

— Conheço muito pouco o Douglas, mas acho que ele faz parte de um grupo político que não deu certo. Durante os oito anos em que estiveram no poder, não fizeram, não deu certo. O governador Garotinho também teve sua oportunidade e não deu certo — afirmou.

Para a candidata, os problemas enfrentados atualmente pelo Estado são consequências das administrações anteriores. Laura argumentou que Paes representa uma experiência que apresentou resultados na capital e pode ser aplicada em todo o território fluminense.

Assista à entrevista completa com Laura Carneiro.

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