A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quarta-feira (03/06), uma operação para desarticular um esquema conhecido como “Máfia da Farinha”, que estaria sendo comandado por traficantes e milicianos. Segundo as investigações, comerciantes eram obrigados a comprar sacas de farinha exclusivamente de fornecedores indicados pelos criminosos, sob ameaça de violência, o que teria provocado aumento no preço do pão em diversas comunidades.
A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), que foram às ruas para cumprir 14 mandados de busca e apreensão em bairros das zonas Oeste e Norte da Capital Fluminense.
Entre os alvos da operação está um galpão localizado em Campo Grande, onde foram encontradas grandes quantidades de farinha armazenada.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema tinha como principais vítimas pequenos e médios comerciantes, sobretudo na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio. Os relatos indicam que os empresários eram submetidos a constantes intimidações, com risco de represálias, prejuízos financeiros e até o fechamento dos estabelecimentos.
Além da imposição de fornecedores, os comerciantes eram obrigados a adquirir volumes superiores às suas demandas e a preços acima dos praticados no mercado. Em alguns casos, recebiam produtos em condições inadequadas para consumo, como mercadorias vencidas ou molhadas.
As investigações também apontam que o grupo ampliava sua atuação para outros setores, como a venda de carvão e hortifrutigranjeiros, estabelecendo um monopólio em diferentes cadeias de abastecimento.
Segundo a Draco-IE, a organização criminosa teria estruturado uma espécie de fachada empresarial para dar aparência legal às atividades ilícitas, facilitando a distribuição de mercadorias e a movimentação financeira.
A polícia afirma que esse tipo de exploração econômica integra uma estratégia mais ampla de controle territorial por parte de milícias e facções, que buscam expandir sua influência sobre atividades comerciais formais para reforçar o poder financeiro e operacional em diferentes regiões do estado.
O objetivo da operação desta quarta-feira é apreender documentos, registros contábeis e equipamentos eletrônicos que possam auxiliar na investigação.
As diligências seguem em andamento para identificar todos os envolvidos, dimensionar o fluxo financeiro do esquema e verificar possíveis conexões com outros crimes.