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Megaoperação contra o CV no Rio de Janeiro foi planejada por 60 dias e ‘Muro do Bope’ foi crucial para encurralar criminosos

Estratégia envolveu o avanço de equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de outras unidades pela Serra da Misericórdia, área de mata que liga os dois complexos

FABRICIO SOUSA/ENQUADRAR/ESTADÃO CONTEÚDO**Atenção, conteúdo sensível: esta imagem contém cenas de corpos e violência**. Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, levam ao menos 60 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas

A megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, já é considerada a mais letal da história do estado. Segundo o governo fluminense, ao menos 119 pessoas morreram durante a ação, incluindo quatro policiais — dois civis e dois militares. Em coletiva nesta quarta-feira (29), o secretário da Polícia Militar do Rio, coronel Marcelo de Menezes, afirmou que as forças especiais montaram um “muro do Bope” para cercar criminosos do Comando Vermelho (CV). A estratégia envolveu o avanço de equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e de outras unidades pela Serra da Misericórdia, área de mata que liga os dois complexos.

“Entramos pela mata e montamos um muro do Bope para cercar e impedir a movimentação dos criminosos”, explicou Menezes. De acordo com o secretário, o objetivo era empurrar os traficantes para áreas de floresta, afastando os confrontos das regiões habitadas e reduzindo os riscos à população. A reação dos suspeitos ao cumprimento dos mandados de prisão, no entanto, resultou em intensos tiroteios.

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A operação contou com helicópteros, tropas especializadas e apoio de inteligência, e foi planejada ao longo de cerca de 60 dias. O foco, segundo as autoridades, era desarticular as lideranças do CV que se abrigam na região e comandam crimes dentro e fora do estado. Após os confrontos, moradores relataram a presença de dezenas de corpos em uma mata no Complexo da Penha. Segundo testemunhas, pelo menos 72 cadáveres foram encontrados, muitos com marcas de tiros e facadas. Imagens de drones mostram corpos enfileirados na Praça São Lucas sendo cobertos por lonas antes de serem removidos para o Instituto Médico-Legal (IML).

De acordo com dados divulgados pelo governo do Rio, a operação resultou em 113 prisões — sendo 33 de suspeitos de outros estados —, além da apreensão de 10 adolescentes. As forças de segurança também recolheram 118 armas (90 fuzis, 26 pistolas e um revólver), 14 artefatos explosivos, centenas de carregadores e milhares de munições, ainda não contabilizadas, além de toneladas de drogas.

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