O sonho de criar um museu dedicado à história da Ilha do Governador está cada vez mais próximo de se tornar realidade. Instalado provisoriamente em uma sala da Subprefeitura da Ilha, o Centro de Referência Histórica da Ilha reúne cerca de 700 peças museológicas já catalogadas e aproximadamente 3 mil periódicos, fotografias, documentos e objetos históricos que retratam a trajetória da região. Com cerca de 90% do acervo inventariado, os voluntários responsáveis pelo projeto trabalham agora para conquistar uma sede definitiva e transformar o espaço em um museu aberto ao público.
O trabalho de organização do acervo vem sendo desenvolvido desde 2024 e reúne um importante conjunto de materiais que ajudam a contar a história da Ilha do Governador. Entre os itens preservados estão jornais, revistas, fotografias, documentos raros, objetos arqueológicos, obras de arte e exemplares históricos do Ilha Notícias.
Um dos destaques da coleção é a placa original da inauguração do Centro de Referência Histórica, realizada em 9 de setembro de 1999, quando o projeto passou a funcionar na Biblioteca Euclides da Cunha. Durante anos, o acervo foi preservado pelos voluntários Domênico Avellar e Deolinda Avellar, consolidando-se como uma importante fonte de pesquisa sobre a história insulana.
Atualmente, cerca de 90% do acervo já passou pelo processo de inventário, etapa exigida pela Secretaria Municipal de Cultura para que o projeto avance na busca por um imóvel definitivo.
Segundo um dos coordenadores do Centro de Referência Histórica, o professor de História pela UFRJ e mestrando da UFF, Caio Tenório Freire, o objetivo sempre foi que o acervo servisse como base para a criação de um museu voltado à preservação da memória local.
“O Centro de Referência nunca foi o destino final. Ele é a base para um museu da Ilha, um espaço vivo, onde a comunidade possa pesquisar, estudar, participar de atividades e preservar sua própria memória. O museu precisa ser um lugar de convivência e de identidade para a população”, afirmou ao Ilha Notícias.
Além da catalogação, os voluntários também atuam na recuperação e conservação de peças que poderiam ter sido perdidas ao longo do tempo, entre elas tijolos históricos do século XIX, materiais arqueológicos e documentos que registram momentos importantes da história da Ilha do Governador.
Acervo funciona provisoriamente na Subprefeitura
De acordo com Caio Tenório Freire, o acervo deixou a Biblioteca Euclides da Cunha após a implantação do programa Bibliotecas do Amanhã e o início da gestão da unidade pelo Sesc Rio. Segundo ele, a instituição informou que não assumiria a guarda do material, o que levou à transferência do acervo para uma sala da Subprefeitura da Ilha do Governador, onde permanece atualmente.
Em nota, o Sesc Rio informou que a retirada do acervo foi uma decisão da Prefeitura do Rio quando a instituição assumiu a gestão da Biblioteca Euclides da Cunha.
