quarta-feira, 6 de maio de 2026 - 6:49

No Brasil, gastos com bets adiam faculdade para 34% dos jovens em 2025

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A pesquisa “O Impacto das Bets na Educação Superior”, de abril de 2025, mostra que os gastos com as apostas online esportivas têm interferido no ingresso e na permanência de jovens na faculdade. O estudo é da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), em parceria com o instituto de pesquisas Educa Insights.

De acordo com o levantamento, o endividamento com as apostas já fez com que 14% dos estudantes matriculados atrasassem ou trancassem as aulas em instituições particulares. Nas classes B1 e B2, esse índice chega a 17%. Outros 35% dizem que precisarão interromper gastos com apostas online, se quiserem continuam estudando.

Segundo a pesquisa, um em cada três apostadores, 34%, teria que ter interrompido as apostas para ingressar na faculdade no primeiro semestre deste ano. Os alunos que responderam a sondagem têm idades entre 18 e 35 anos e pertencem a várias classes sociais e regiões do Brasil.

Os valores apostados dependem da posição do estudante na escala social. Os pertencentes à classe A gastam, em média, R$ 1.210,00 mensais; enquanto os das classes D e E, empenham R$ 421,00 mensalmente. A maiorias dos apostadores afirmou comprometer 5% da sua renda com as bets. Entre os mais pobres esse índice chaga a 10%.   

O diretor-geral da Abmes, Paulo Chanan, ressaltou que houve um agravamento dos números diante dos resultados da sondagem anterior, publicada em setembro de 2024.

“Isso indica que o fenômeno está se aprofundando e afetando, principalmente, os jovens das classes C e D. Trata-se de uma realidade relativamente nova no Brasil, que ainda carece de amadurecimento por parte da sociedade e de uma regulação mais eficaz por parte do poder público”, disse ele à Agência Brasil.

Os perfis dos apostadores nas duas edições da pesquisa são semelhantes: 85% são homens; 85% trabalham; 72% têm filhos; 38% pertencem à classe B e 37% são da classe C; 79% têm como fonte de renda o salário do trabalho; 40% têm entre 26 e 30 anos; e outros 30%, de 31 a 35 anos.

Outro dado verificado pelo levantamento é que 87% dos jovens da classe A já haviam apostado nas bets alguma vez, contra 13% que disseram nunca ter apostado. Já entre os entrevistados das classes D e E, os percentuais para as duas situações são semelhantes: 57% disseram ter apostado alguma vez e outros 43% nunca realizou uma aposta online.

No que diz respeito ao recorte regional, o Nordeste e o Sudeste concentram o maior número de apostadores que atrasarão o ingresso na graduação por conta das apostas virtuais. Em relação ao ingresso no primeiro período deste ano, o Nordeste concentrou 44% dos apostadores e o Sudeste, 41%. As regiões que apresentam um movimento inverso são o Sul e o Centro-Oeste, com 17% e 18%, respectivamente, dos entrevistados tendo que interromper as apostas para poder estudar no período citado.

Para o primeiro período do ano que vem, a estimativa é de que dos 2,9 milhões de potenciais ingressantes, 986 mil (34%) podem não efetivar a matrícula por conta do comprometimento financeiro com as bets.  O perfil dos apostadores identificado é de homens, de 26 a 35 anos, com filhos, trabalhadores e das classes C e D e cursaram os estudos anteriores em escolas públicas.

De acordo com a sondagem 52% dos entrevistados aposta com regularidade, de uma a três vezes por semana. A frequência aumenta desde a última edição da pesquisa, quando 42,8% dos dos entrevistados apostavam com frequência.  

O diretor do instituto Educa Insights, Daniel Infante, comparou os resultados entre as duas pesquisas: “O estudo mostra que o mercado educacional ganha um novo concorrente pelo bolso do aluno potencial. Isto, aliado às mudanças regulatórias em curso, pode afetar significativamente o mercado potencial para o ensino superior privado no país”, observou Infante em entrevista à Agência Brasil.

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