quinta-feira, 10 de setembro de 2026 - 12:31

Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, decreta fim do home office

Concorrência acendeu o alerta para a gigante da Dinamarca / Creative Commons

Todos os funcionários em atuação em trabalho remoto devem voltar à modalidade presencial. Essa é a determinação da empresa fabricante do remédio Ozempic: a Novo Nordisk. A decisão foi comunicada pela empresa, nesta quinta-feira (11), segundo a Reuters. Com o fim do home office, a corporação dinamarquesa visa otimizar processos decisórios e alavancar o desempenho comercial, já que a concorrência no mercado de fármacos contra a obesidade tem se mostrado altamente competitiva e rentável.

A quarta-feira, dia 10, já havia sido difícil para a corporação, com a anúncio de corte de
de 9 mil vagas de trabalho – 11% do seu quadro funcional. A drástica medida resulta da estagnação enfrentada pela Novo Nordisk quanto ao crescimento das vendas. Soma-se a isso a queda no valor das duas ações, desde 2024, o que resultou na perda de US$ 450 bilhões em valor de mercado. A retração de ganhos corresponde à entrada de novos concorrentes no mercado, como a empresa Eli Lilly, gigante norte-americana que fabrica o Mounjaro e medicamentos genéricos compostos.

Para justificar a descontinuidade do trabalho remoto, a Novo Nordisk afirmou que a iniciativa foi projetada “para fomentar um senso mais forte de pertencimento, fortalecer relacionamentos, aprimorar a colaboração e acelerar os processos de tomada de decisão”, comunicou a corporação, com base no fraco desempenho de vendas e lucros verificados. O atual planejamento prevê a redução de custos em cerca de US$ 1,12 bilhão até o final de 2026.

De acordo com o Poder 360, a agência de notícias dinamarquesa Ritzau levantou que a empresa não contava com orientações gerais sobre trabalho remoto, com as regras variando entre departamentos e países. Apesar da determinação de volta aos escritórios, a Novodisk ainda indicou que os funcionários poderão negociar uma certa flexibilidade laboral com seus gerentes, desde que as demandas da empresa, agora muito pressionada, sejam atendidas.

Para o presidente do sindicato dinamarquês HK Privat, Kim Jung Olsen, que representa os trabalhadores administrativos e técnicos de laboratório da Novo Nordisk, “trabalhar em casa e ter uma cultura vibrante de escritório não são mutuamente excludentes”, disse ele, surpreso com a decisão da empresa global, de acordo com a Reuters.

“É lamentável para os muitos funcionários que gostavam de poder trabalhar em casa ocasionalmente que a administração não tenha conseguido implementar isso na Novo Nordisk”, complementou Olsen.

A decisão da Novo Nordisk segue uma tendência observada em diversas corporações globais e brasileiras. Somente nesta semana, o banco Itaú e a gigante Microsoft, um bastião do trabalho remoto, determinaram a volta dos seus funcionários remotos aos seus escritórios.

A decisão da empresa dinamarquesa alinha-se a outras corporações internacionais, que almejando ampliação de lucros e mais competitividade, decretaram o fim do home office, como a Google, empresas do conglomerado de Elon Musk, a Amazon, a Goldman Sachs, a Dell, a Disney, a Apple, a Alphabet (do Google), a Meta (do Facebook), a Salesforce, a BlackRock, a UOL, a JP Morgan, a Petrobras, entre tantas outras em todo o mundo.

A Amazon, por exemplo pediu aos funcionários uma jornada de cinco dias por semana. Já as startups adotaram o chamado 996: jornada de seis dias semanais, das 9h às 21h; somando 72 horas semanais de trabalho.

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