
O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) voltou ao centro de uma polêmica. Não se trata de uma saída em massa de servidores após um prêmio milionário da Mega-Sena da Virada, mas de um episódio que acabou expondo, de forma quase simbólica, o descontentamento interno no órgão.
Mais de 100 funcionários do Ibram participaram de um bolão com 13 números e acertaram 40 quadras. O resultado, embora expressivo, esteve longe de permitir qualquer mudança real na vida desses servidores — muito menos a possibilidade de pedir demissão do órgão ou abandonar os cerca de 30 museus federais administrados pela autarquia vinculada ao Ministério da Cultura.

O episódio escancara um problema antigo. Os servidores do Ibram reclamam da ausência de um plano de carreira, dos salários considerados baixos e das más condições de trabalho em diversos museus brasileiros. Soma-se a isso a crônica falta de orçamento do Ministério da Cultura, que afeta diretamente tanto a vida desses profissionais quanto a execução de ações finalísticas, de manutenção e de preservação do patrimônio museológico nacional.


O bolão acabou funcionando como uma tentativa quase simbólica de escapar de uma situação que se arrasta há mais de duas décadas. No fim, revelou-se apenas um sonho passageiro — e uma metáfora involuntária da precarização estrutural enfrentada pelo setor. A pergunta que fica é quando o governo passará a olhar com mais atenção para os museus federais e para os profissionais responsáveis por mantê-los abertos, vivos e relevantes.


No Rio de Janeiro, o Ibram é responsável direto pela gestão dos seguintes museus:
O Museu da República, no Palácio do Catete, encontra-se parcialmente fechado à visitação, situação semelhante à do Museu Histórico Nacional.
O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) não está totalmente fechado, mas funciona de forma limitada, com destaque recente para a exposição Breu.
O Museu Villa-Lobos, em Botafogo, está fechado.
Os Museus Castro Maya — Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa, e Museu do Açude, no Alto da Boa Vista — também enfrentam dificuldades. No caso da Chácara do Céu, há ainda uma obra de expansão e acessibilidade inacabada, que se arrasta há anos.
O Museu Casa de Benjamin Constant, em Santa Teresa, integra a mesma rede sob responsabilidade do instituto.
No estado do Rio de Janeiro, o Ibram também administra o Museu Imperial, em Petrópolis; o Museu Casa da Hera, em Vassouras; o Forte Defensor Perpétuo e o Museu de Arte Sacra, em Paraty; o Museu de Arte Religiosa e Tradicional, em Cabo Frio; e o Museu de Arqueologia de Itaipu, em Niterói.
Diante desse cenário, a pergunta permanece: o que pode — e deve — ser feito para melhorar a situação dos museus no Rio de Janeiro e no Brasil?


- * Andre Angulo, carioca, servidor e museólogo do Museu da República e um dos organizadores do Bolão Museal.