quarta-feira, 14 de janeiro de 2026 - 4:25

  • Home
  • Rio de Janeiro
  • O bolão museal: uma dor reveladora — museus na quadra e servidores em WO

O bolão museal: uma dor reveladora — museus na quadra e servidores em WO

Desabamento do teto da parte administrativa do Museu Histórico Nacional, no Centro, em dezembro de 2024 / Foto: Servidores do IBRAM

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) voltou ao centro de uma polêmica. Não se trata de uma saída em massa de servidores após um prêmio milionário da Mega-Sena da Virada, mas de um episódio que acabou expondo, de forma quase simbólica, o descontentamento interno no órgão.

Mais de 100 funcionários do Ibram participaram de um bolão com 13 números e acertaram 40 quadras. O resultado, embora expressivo, esteve longe de permitir qualquer mudança real na vida desses servidores — muito menos a possibilidade de pedir demissão do órgão ou abandonar os cerca de 30 museus federais administrados pela autarquia vinculada ao Ministério da Cultura.

O episódio escancara um problema antigo. Os servidores do Ibram reclamam da ausência de um plano de carreira, dos salários considerados baixos e das más condições de trabalho em diversos museus brasileiros. Soma-se a isso a crônica falta de orçamento do Ministério da Cultura, que afeta diretamente tanto a vida desses profissionais quanto a execução de ações finalísticas, de manutenção e de preservação do patrimônio museológico nacional.

O bolão acabou funcionando como uma tentativa quase simbólica de escapar de uma situação que se arrasta há mais de duas décadas. No fim, revelou-se apenas um sonho passageiro — e uma metáfora involuntária da precarização estrutural enfrentada pelo setor. A pergunta que fica é quando o governo passará a olhar com mais atenção para os museus federais e para os profissionais responsáveis por mantê-los abertos, vivos e relevantes.

No Rio de Janeiro, o Ibram é responsável direto pela gestão dos seguintes museus:

O Museu da República, no Palácio do Catete, encontra-se parcialmente fechado à visitação, situação semelhante à do Museu Histórico Nacional.

O Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) não está totalmente fechado, mas funciona de forma limitada, com destaque recente para a exposição Breu.

O Museu Villa-Lobos, em Botafogo, está fechado.

Os Museus Castro MayaMuseu Chácara do Céu, em Santa Teresa, e Museu do Açude, no Alto da Boa Vista — também enfrentam dificuldades. No caso da Chácara do Céu, há ainda uma obra de expansão e acessibilidade inacabada, que se arrasta há anos.

O Museu Casa de Benjamin Constant, em Santa Teresa, integra a mesma rede sob responsabilidade do instituto.

No estado do Rio de Janeiro, o Ibram também administra o Museu Imperial, em Petrópolis; o Museu Casa da Hera, em Vassouras; o Forte Defensor Perpétuo e o Museu de Arte Sacra, em Paraty; o Museu de Arte Religiosa e Tradicional, em Cabo Frio; e o Museu de Arqueologia de Itaipu, em Niterói.

Diante desse cenário, a pergunta permanece: o que pode — e deve — ser feito para melhorar a situação dos museus no Rio de Janeiro e no Brasil?

  • * Andre Angulo, carioca, servidor e museólogo do Museu da República e um dos organizadores do Bolão Museal.
Receba notícias no WhatsApp e e-mail

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Em apenas 12 dias CBMERJ resgata 2,8 mil pessoas nas praias do Rio

Foto: Reprodução/CBMERJ As altas temperaturas registradas no Rio de Janeiro desde o início de 2026…

Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção de herpes-zóster ao…

Fim da ‘vista instagramável’: Prefeitura do RJ remove ‘escada do infinito’

Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEOP), a estrutura, instalada a 25 metros de…

Ir para o conteúdo