
O projeto de orçamento de 2026 do Rio já está na Câmara Municipal. A proposta do prefeito Eduardo Paes (PSD) entra em pauta nas próximas semanas, com audiências públicas e discussão nas comissões. A leitura inicial, feita com apoio das equipes dos gabinetes — em especial dos técnicos do vereador Fernando Armelau (PL) — mostra um redesenho de prioridades. As informações são de Berenice Seara/Tempo Real.
O PLOA projeta 59% a mais em operações de crédito. O custo do endividamento também sobe: as despesas com juros da dívida aumentam 18% em 2026. O recado é claro: o caixa contará mais com empréstimos, e o serviço da dívida pesa mais.
Na folha de pessoal, o crescimento é de 5%. O índice cobre o efeito vegetativo — progressões, aposentadorias e encargos — e indica que não há espaço para reajuste geral dos servidores.
Os investimentos saltam de R$ 3,0 bilhões para R$ 4,8 bilhões (+60%), muito acima da variação total do orçamento, estimada em 12%. A guinada ocorre em ano eleitoral, com impacto direto em obras e entregas.
Do lado da receita, a Contribuição para Custeio da Iluminação Pública (Cosip) ganha força. As Receitas de Contribuições sobem R$ 750 milhões (+11%), reflexo da nova tabela da Cosip, cobrada na conta de luz.
A Assistência Social encolhe. A Secretaria Municipal de Assistência Social perde 2% (menos R$ 9,7 milhões) no orçamento de 2026, apesar do quadro de vulnerabilidade nas periferias e no centro.
Entre as novas prioridades, a recém-criada Secretaria Especial de Proteção e Defesa do Consumidor aparece com R$ 30,1 milhões — mais do que a Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, que terá R$ 29,4 milhões. A diferença expõe a escolha política pelo fortalecimento do consumo e fiscalização de mercado, deixando Animais atrás.
A Infraestrutura é a grande vencedora. A Secretaria de Infraestrutura cresce 50%, chegando a R$ 2,75 bilhões em 2026. A área concentra o impulso de obras públicas e viário, alinhada ao plano de acelerar entregas e manutenção urbana.