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Paes jura lealdade eleitoral a Lula e afirma que deixará o governo em 20 de março

Fotos: Ricardo Stuckert/ Presidência da República

Depois de meses acumulando atritos com a esquerda e sinalizações públicas ao campo conservador, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília, na última terça-feira, para reafirmar compromisso eleitoral e tentar conter uma crise de confiança no Planalto. O movimento foi motivado pelo avanço de articulações no PT fluminense que passaram a envolver o deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e pelo risco concreto de o partido lançar um nome próprio ao governo estadual.

Na conversa reservada, fora da agenda oficial, Paes informou que pretende deixar a prefeitura em 20 de março para disputar o Palácio Guanabara em 2026 e jurou lealdade a Lula. Como gesto político, comprometeu-se a apoiar a deputada Benedita da Silva (PT) ao Senado, recuo relevante diante da estratégia inicial de seu grupo, que apostava em uma chapa majoritária sem candidatos petistas.

Lula insere Ceciliano no tabuleiro político para enquadrar prefeito

A urgência da viagem se explica pelo avanço de um plano que passou a circular com mais intensidade no PT do Rio: a possibilidade de André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e ex-presidente da Alerj, disputar a eleição indireta para um mandato-tampão de governador, caso Cláudio Castro (PL) renuncie em abril para concorrer ao Senado. Ceciliano é deputado estadual licenciado para ocupar cargo no governo federal.

Nesse cenário, previsto na Constituição estadual, caberia ao Tribunal de Justiça convocar uma votação indireta na Alerj. Ceciliano, com forte trânsito no Legislativo e respaldo de setores do Planalto, poderia assumir o comando do Executivo estadual às vésperas da campanha, transformando-se em candidato natural à reeleição ou, ao menos, em um ator central na disputa. Analistas políticos avaliam que Ceciliano não executaria esta estratégia eleitoral sem o aval do presidente Lula e da direção do partido.

O que alarmou Paes foi a entrada de Rodrigo Bacellar nesse jogo. Afastado da presidência da Alerj após operação da Polícia Federal, o deputado articula nos bastidores para viabilizar Ceciliano, numa tentativa de bloquear rivais internos e externos. Bacellar se opõe tanto à hipótese de Nicola Miccione, chefe da Casa Civil e nome técnico, assumir o governo, quanto à ascensão do deputado Douglas Ruas (PL), aliado do bolsonarismo e apadrinhado do deputado federal Altineu Cortes (PL). É também filho do Capitão Nelson, o bem avaliado prefeito de São Gonçalo, segundo maior reduto eleitoral do estado do Rio.

Candidatura competitiva do PT atropela estratégia de Paes de vencer no 1º turno

Desde o segundo semestre do ano passado, a cúpula do PT passou a tratar com mais desconfiança os movimentos de Paes. Integrantes do governo federal, como Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e o próprio Ceciliano, apontam uma sequência de gestos considerados incompatíveis com a aliança nacional.

Entre eles, o apoio público do prefeito ao pastor Silas Malafaia, conselheiro do ex-presidente Jair Bolsonaro, após o líder religioso se tornar alvo de investigação da Polícia Federal. Teve ainda a declaração, em evento na Baixada Fluminense, de que caminharia eleitoralmente com o PL. Por fim, a crítica do vice-prefeito Eduardo Cavaliere à política de segurança do governo Lula, classificada como “lero-lero” após operação policial no Complexo do Alemão.

Até recentemente, esses episódios não haviam produzido reações institucionais do PT, limitando-se a críticas pontuais de quadros como Marcelo Freixo e José Dirceu. A perspectiva de uma candidatura petista competitiva atropela a estratégia de Paes de vencer no primeiro turno e diminui o peso político das críticas à esquerda e do flerte com a direita do alcaide e de seus aliados.

Eleitores conservadores podem determinar vitória em 2026

No Planalto, o gesto de Paes foi interpretado como um movimento de contenção de danos. Dirigentes petistas avaliam que o prefeito “calçou as sandálias da humildade”, mas ponderam que a confiança ainda está longe de ser plena. Lula, segundo aliados, trabalha com cenários nacionais incertos e mantém dúvidas sobre a real disposição de Paes em sustentar a aliança caso o PSD caminhe com outro nome à Presidência.

O histórico recente pesa. O prefeito perdeu duas disputas ao governo do estado (2006 e 2018) e observa com atenção o peso do bolsonarismo no interior e na Baixada Fluminense. Em 2022, Bolsonaro venceu Lula em 72 municípios do Rio, e Cláudio Castro derrotou Marcelo Freixo no primeiro turno com ampla vantagem.

Na semana passada, Paes recebeu no Rio o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, com quem discutiu cenários eleitorais que envolvem tanto o Palácio do Planalto quanto o controle da máquina estadual. A avaliação no entorno do prefeito é que um vínculo excessivo com o PT pode afastar eleitores conservadores estratégicos.

Traumas antigos e cautela petista

No PT fluminense, a cautela é alimentada por experiências passadas. Em 2014, a dissidência liderada pelo então presidente da Alerj, Jorge Picciani (MDB), que associou a candidatura de Luiz Fernando Pezão ao governo do estado ao então presidenciável Aécio Neves (PSDB), mesmo com Dilma Rousseff (PT) no cargo, ainda serve de alerta contra acordos considerados frágeis.

Enquanto isso, o avanço das conversas entre petistas e Bacellar mantém o sinal de alerta aceso tanto no gabinete de Paes, como no do governador Claudio Castro. A disputa pelo controle da Alerj e pela cadeira de governador interino transformou-se, antes mesmo do início oficial da campanha, em um dos principais focos de tensão da sucessão fluminense.

Com informações do jornal O Globo.

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