
A eleição para o novo presidente da Alerj, marcada para as 14h15 desta quinta-feira (26), abriu mais uma frente de disputa na crise política fluminense. Convocada pelo presidente em exercício Guilherme Delaroli, a votação passou a ser alvo de uma ofensiva articulada pela oposição, que tenta barrar o pleito no Judiciário e também trabalha para esvaziar politicamente a sessão.
Partidos como PSD, PDT, PT, Psol, PSB, PCdoB e o MDB aderiram ao movimento. A estratégia discutida entre os parlamentares é não registrar presença no painel eletrônico, numa tentativa de não dar legitimidade à votação e ampliar a pressão sobre a condução do processo.
O argumento central desse grupo é que a eleição foi acelerada sem respeitar o rito previsto no regimento interno da Casa. Entre as críticas estão o prazo de convocação da sessão e a defesa de que o processo deveria se estender por até cinco sessões legislativas. Outro ponto levantado é a necessidade de esperar a retotalização dos votos de Rodrigo Bacellar, etapa que permitiria a convocação de um novo deputado e a recomposição completa do plenário com 70 parlamentares.
Na manhã desta quinta, o deputado Luiz Paulo (PSD) levantou a dúvida em plenário e indicou que a eleição pode parar na Justiça. A avaliação do partido é que o suplente resultante da recontagem determinada pela Justiça Eleitoral não teria tempo hábil para tomar posse e participar da votação. O presidente estadual do PSD, Pedro Paulo, confirmou que a legenda cogita judicializar o caso.
Do lado da oposição, o tom também subiu fora da Assembleia. O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, afirmou que o PT deve recorrer ao STF para tentar impedir o que classificou como uma condução atropelada do processo. A reação mostra que a disputa pelo comando da Alerj já transbordou do plenário para o campo jurídico e político.
A pressa da base governista tem explicação. A nova eleição para a presidência da Casa foi convocada depois da cassação de Rodrigo Bacellar, e o posto ganhou peso extra em meio à sucessão aberta no governo do estado. Antes mesmo da sessão, Delaroli já havia chamado uma reunião com líderes de bancada para tratar das duas eleições que passaram a dominar o tabuleiro fluminense: a da própria Alerj e a do mandato-tampão no Palácio Guanabara.
Com informações d´Agenda do Poder e Tempo Real