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Pente-fino da CGE contra funcionários fantasmas atinge todos os 77 órgãos do Governo do RJ

O Palácio Guanabara, em Laranjeiras, sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro. – Foto:
Fernando Frazão/Agência Brasil

Um levantamento minucioso da Controladoria Geral do Estado (CGE) revelou que todos os 77 órgãos públicos do governo do Estado do Rio de Janeiro possuíam funcionários fantasmas em suas folhas de pagamento. Os servidores em cargos comissionados foram classificados em uma lista de “alta criticidade” após o cruzamento de dados apontar que eles não passavam pelas catracas físicas, não faziam login em computadores e jamais acessavam o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), ferramenta obrigatória para a tramitação de documentos oficiais.

As investigações apontam que a grande maioria desses funcionários tinha ligações políticas com a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a gestão estadual anterior ou com ex-titulares de secretarias. Diante do esquema, o governador em exercício, Ricardo Couto, iniciou uma onda massiva de demissões. Desde o início do processo, mais de 4.283 comissionados já foram exonerados.

Rombo nos cofres públicos

O impacto financeiro das demissões e da extinção de estruturas desnecessárias promete aliviar o caixa fluminense. As secretarias com as maiores reduções de cargos comissionados foram:

  • Secretaria de Trabalho: redução de 78,6%
  • Secretaria de Esporte e Lazer: redução de 75,6%
  • Secretaria de Turismo: redução de 73,3%
  • Secretaria de Cultura, Tecnologia e Inovação: redução de 65,6%

Até o momento, 60 dos 77 órgãos estaduais concluíram a auditoria, projetando uma economia anual de R$ 355 milhões (incluindo décimo terceiro e férias). Apenas as saídas registradas entre março e maio representam um corte de quase R$ 15 milhões por mês.

Subsecretarias extintas e casos emblemáticos de “alta criticidade”

O esquema de cabide de empregos levou à extinção completa de subsecretarias inteiras, principalmente na Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e na Casa Civil. Em depoimento aos auditores, diversos comissionados alegaram que realizavam “trabalho externo”, mas caíram em contradição.

O comissionado que não lembrava do chefe

Marcelo Cabral D’Almeida, lotado na agora extinta Subsecretaria de Manutenção de Áreas Verdes Urbanas com salário de R$ 10.903,66, afirmou que fazia vistorias de campo na Zona Oeste do Rio. Contudo, ao ser questionado pela auditoria, ele admitiu que não lembrava o nome do seu próprio gestor. Marcelo é filho do ex-vereador Marcelino Almeida e foi indicado pelo ex-secretário Bernardo Rossi (União), que nega irregularidades, mesmo sem ter formação na área ambiental.

Estruturas familiares e indicações políticas

  • Caso Von Seehausen: O ex-secretário municipal Marcus Wilson Von Seehausen (ex-assessor de deputado preso na Operação Furna da Onça) e seu filho, João Antonius Von Seehausen, constavam na lista e foram exonerados. Eles recebiam salários líquidos de R$ 12,2 mil e R$ 10,3 mil, respectivamente.
  • Cota de parentesco na Conscientização Ambiental: A Subsecretaria de Conscientização Ambiental, que teve 37 vagas extintas, era comandada por Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel preso sob suspeita de fraudes na Educação.
  • A “Blogueirinha de São Marcos”: Bruna Castello Branco Costa Motta, influenciadora digital com 16 mil seguidores, esteve lotada na Seas como adjunto I. Ela foi exonerada sob a classificação de “alta criticidade”, tendo acumulado mais de R$ 9,6 mil apenas em férias indenizadas sem histórico de acessos aos sistemas do Estado.

Bloqueio definitivo e prazos para secretários

O governo estadual endureceu as regras para impedir o retorno dos funcionários fantasmas ao serviço público. Os secretários da Casa Civil, Flávio Willeman, e de Governo, Roberto Leão, enviaram relatórios individualizados a cada pasta.

Regra de Retorno: Todos os servidores comissionados demitidos sob a suspeita de fraudes entraram em uma lista especial de restrição e estão proibidos, por decreto, de retornar ao seu órgão de origem.

Os gestores das secretarias restantes têm prazos rígidos para apresentar suas listas complementares de servidores irregulares e efetivar os desligamentos imediatos.

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