
No próximo dia 4 de outubro, os mais de 13 milhões de eleitores do estado vão escolher seu novo governador e vice, dois senadores, 46 deputados federais e 70 deputados estaduais. Será o 12º governador eleito desde a volta da democracia, em 1982, época em que a internet engatinhava nas capitais e não existia no interior e o voto ainda era em cédulas de papel.
Quatro décadas depois e sete milhões de eleitores a mais, votar ficou mais simples e rápido, como também o acesso a informações e dados. Pensando nisso que o DIÁRIO DO RIO resolveu publicar matéria com os perfis dos candidatos a governador e seus vices e ao Senado Federal como forma de colaborar na escolha dos nossos representantes no Executivo e Legislativo fluminense.
Abaixo, os perfis dos candidatos já definidos em decisão partidária. A previsão é que até o final de abril, as nominatas estejam definidas para oficialização das candidaturas em convenções dos partidos a serem realizadas entre o dia 20 de julho a 5 de agosto.
Quem é Eduardo Paes, candidato a governador pelo PSD

Atualmente em seu quarto mandato como prefeito do Rio de Janeiro, o carioca Eduardo Paes (56 anos) superou o seu próprio criador, o hoje vereador César Maia, que ocupou o Palácio da Cidade por 3 vezes e foi o responsável pelo início de sua carreira política, quando o nomeou, em 1993, aos 23 anos, subprefeito da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. Workaholic, caiu nas graças do político e acabou fazendo parte do grupo chamado “Os Menudos do César Maia”.
Tenta chegar ao cargo de governador pela terceira vez. Em 2006, pelo PSDB, ficou em quinto lugar, com apenas 5,33% dos votos. Doze anos e dois mandatos de prefeito depois, surgiu como franco favorito na eleição de 2018, pelo DEM. No entanto, foi atropelado pelo candidato outsider Wilson Witzel (PSC), que foi beneficiado por uma tsunami de votos bolsonaristas que o fez vencer com diferença de 20% dos votos nos dois turnos.
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e com especialização em Políticas Públicas pela UFRJ, Paes foi eleito vereador em 1996 pelo PFL e, dois anos após, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Em 2001, foi nomeado por Cesar Maia secretário municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.
Após seu segundo mandato consecutivo como deputado federal, em 2007, Paes foi nomeado secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer pelo então governador Sérgio Cabral e ajudou na organização dos Jogos Pan-Americanos realizados no Rio.
Em 2008, foi eleito pelo PMDB para seu primeiro mandato como prefeito da cidade do Rio de Janeiro e reeleito, no primeiro turno, com 64,61% dos votos, em 2012. Após a derrota para governador em 2018, retorna para a prefeitura nas eleições de 2020, pelo DEM e, em 2024, agora pelo PSD, é reeleito no primeiro turno, com mais de 60% dos votos.
Apesar de ter comandado regionalmente a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, com a inauguração de inúmeras obras em parceria com os governos estadual e federal, Paes não consegue que o seu candidato à prefeito, o deputado federal Pedro Paulo, sequer vá ao segundo turno no pleito de 2016, abatido por denúncia de agressão a sua ex-mulher.
Mais uma vez, é o franco favorito para vencer o pleito deste ano, segundo as pesquisas eleitorais. Está bem avaliado na cidade do Rio de Janeiro, com 4,9 milhões de eleitores (38%). Fluente em português, inglês e espanhol, Paes é casado com Cristine Assed Paes, com quem tem dois filhos: Bernardo e Isabela.
Quem é Jane Reis, candidata do MDB a vice-governadora na chapa de Eduardo Paes


Advogada e evangélica, Jane Reis (MDB) é natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e é irmã do ex-prefeito da cidade e presidente estadual do MDB, Washington Reis, um dos principais caciques políticos da região.
Jane construiu sua trajetória política principalmente nos bastidores do partido, atuando na articulação eleitoral na Baixada e presidindo o MDB Mulher em Caxias. Em 2020, disputou a prefeitura de Magé, também na Baixada, quando terminou em terceiro lugar.
Ligada a projetos sociais e a igrejas evangélicas, ela é casada com o pastor Rafael Corato, da Assembleia de Deus de Caxias. No poder regional, Jane tem da família o atual prefeito de Caxias, Netinho Reis, seu sobrinho, o ex-prefeito Wilson Reis, seu tio, e os deputados estadual e federal, Rosenverg e Gutemberg Reis, seus irmãos. A cidade reúne cerca de 700 mil eleitores, o segundo maior colégio eleitoral do estado.
Em discursos, afirma que sua trajetória política é orientada por valores cristãos e pela atuação comunitária. Em suas redes sociais, se apresenta como “cristã, mãe e esposa” e costuma enfatizar a fé como elemento central de sua atuação pública.
Quem é Douglas Ruas, candidato a governador pelo PL


Nascido em São Gonçalo, em 1989, o policial civil Douglas Ruas dos Santos vai disputar o principal cargo do Estado do Rio com apenas 37 anos e em seu primeiro mandato como deputado estadual. É formado em Direito e pós-graduado em Gestão Pública.
Em 2023, com apenas oito meses de parlamento, ele se licenciou para se tornar Secretário de Cidades na gestão do governador Claudio Castro (PL), onde está até hoje. Segundo o Portal da Transparência do Governo do Estado, a secretaria é responsável por investimentos de R$ 2,1 bilhões em projetos em 20 municípios, como o “Segurança Presente”, obras de urbanização, drenagem e melhorias em municípios do interior e região metropolitana com intensa agenda com prefeitos.
Iniciou sua carreira política em 2021, aos 32 anos, sendo secretário de Gestão Integrada e Projetos Especiais do próprio pai, Capitão Nelson, também do PL e, atualmente, em seu segundo mandato à frente do município gonçalense, terceiro maior colégio eleitoral do estado, com aproximadamente 687 mil eleitores.
Em 2022, Ruas foi o segundo candidato mais votado para a vaga de deputado estadual, com aproximadamente 176 mil votos, ficando atrás apenas de Márcio Canella, atual prefeito de Belford Roxo, com mais de 181 mil votos. Capitão Nelson tem aprovação de sua gestão superior a 80% em uma cidade pertencente à Região Metropolitana do Estado.
Pertencentes ao grupo político liderado por Altineu Côrtes, presidente estadual do PL, pai e filho dominam, atualmente, o cenário político da cidade. Até o momento filiado apenas ao Avante e o PL, Ruas sonha em se tornar governador do mandato-tampão e, desta forma, fazer campanha com a máquina do estado em mãos.
No pleito de 2022, declarou à justiça eleitoral um patrimônio de R$ 1,2 milhão.
Quem é Rogério Lisboa, candidato do PP a vice-governador na chapa de Douglas Ruas


Advogado e um dos principais líderes políticos da Baixada Fluminense, Rogério Lisboa governou Nova Iguaçu por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, deixando o cargo com altos índices de aprovação no quarto maior reduto eleitoral do estado, com cerca de 600 mil eleitores.
Nascido em 22 de agosto de 1967, Lisboa tem 58 anos e construiu uma carreira política que passou pela Câmara Municipal, Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e, por fim, pela prefeitura da cidade onde nasceu e foi criado.
Foi eleito vereador de Nova Iguaçu por três mandatos, permanecendo na Câmara entre 1993 e 2004. Posteriormente, assumiu a Secretaria de Obras do município, entre 2005 e 2006, período em que participou de projetos de infraestrutura e urbanização.
Em 2006, foi eleito deputado federal com 64.184 votos, grande parte obtida em Nova Iguaçu. Na Câmara dos Deputados, integrou a Comissão de Defesa do Consumidor e atuou como suplente na Comissão de Segurança Pública.
Depois de disputar a prefeitura sem sucesso em 2012, Lisboa voltou ao cenário eleitoral em 2014, quando conquistou uma vaga como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio.
Em 2016, Lisboa voltou a disputar a prefeitura de Nova Iguaçu. Mesmo enfrentando questionamentos judiciais que chegaram a ameaçar sua candidatura, conseguiu disputar o pleito e foi eleito no segundo turno com 63,91% dos votos válidos, derrotando o então prefeito Nelson Bornier.
Quatro anos depois, em 2020, foi reeleito ainda no primeiro turno, com 62,10% dos votos válidos, consolidando sua liderança política na cidade.
Impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo, Rogério Lisboa articulou a eleição de seu sucessor em 2024, lançando como candidato o seu secretário municipal Dudu Reina, que venceu o pleito com votação recorde de 292.459 votos (74,77%), mantendo o grupo político no comando da cidade.
Rogério Lisboa é evangélico, tem dois filhos, Bruna e Leonardo, e é avô de Bernardo e Vicente.