
A nova rodada da Pesquisa Prefab para o Governo do Estado do Rio de Janeiro mexeu no tabuleiro da sucessão de 2026. Único levantamento presencial realizado no estado em 2025, o estudo decidiu testar novos nomes em meio a um ambiente de desgaste político, alta rejeição a figuras tradicionais e um eleitorado que, em 79,5% dos casos, diz viver em um estado “dominado por bandidos”.
Entre as novidades avaliadas aparecem Rodrigo Pimentel, Felipe Cury e Ítalo Marsili, incluídos para medir, de forma mais objetiva, o espaço para candidaturas posicionadas fora da chamada “velha política”. A entrada desses nomes ajuda a desenhar o mapa de possibilidades para 2026 e a medir o comportamento de um eleitor cansado da polarização e desconfiado das estruturas tradicionais de poder.
Mesmo com a renovação do cardápio, os números colocam Eduardo Paes isolado na frente, com 35,6% das intenções de voto, muito à frente do segundo pelotão, que segue concentrado na casa de um dígito. O cenário reforça um dado central da pesquisa: a rejeição passou a ser o principal filtro de escolha.
Washington Reis marca 6,5%, Rodrigo Pimentel 5,9%, Rodrigo Bacellar soma 5,4%, Felipe Cury 2,2%, Mônica Benício 1,8%, Ítalo Marsilli tem 0,9% e Rafa Luz 0,7%. Não sabem ou não responderam somam 21,6%, enquanto 19,4% afirmaram que votariam branco ou nulo.
A pesquisa também revela o peso da rejeição. Eduardo Paes é rejeitado por 22,2% do eleitorado, enquanto Washington Reis chega a 14,7%. Já Rodrigo Bacellar tem 6%, Rodrigo Pimentel 3,2%, Fekipe Cury 3,1%, Mônica Benício 2,6%, Rafa Luz 2%, e Ítalo Marsilli tem 1,9%.
A evolução da série histórica da Prefab mostra estabilidade de Paes. Ele oscilou de 37,2% em fevereiro para 35,6% agora, mantendo-se à frente sem ameaça concreta. Os adversários, por outro lado, apresentam movimentos lentos, incapazes de romper o teto de crescimento.
Diretor de pesquisas quantitativas do Prefab Future, Henrique Serra explica por que o instituto decidiu mexer agora na lista de pré-candidatos: “O momento político exige leitura fina. O eleitor fluminense está cansado, desconfiado e pressionado pelo medo. Por isso, nesta rodada, tomamos a decisão estratégica de testar novos nomes, como Rodrigo Pimentel, Felipe Cury e Ítalo Marsili. Era fundamental medir se existe caminho real para alternativas fora do eixo tradicional.”
Para Serra, os dados confirmam o peso do desgaste e da sensação de insegurança: “A rejeição virou variável dominante. Quando você tem quase 80% da população dizendo que o estado está dominado pelo crime, isso redefine o comportamento político. A liderança de Paes se explica por sua estabilidade e por uma rejeição muito baixa, enquanto outros nomes largam com carga negativa alta.”
No pano de fundo, a crise de segurança pública continua sendo o fator que mais reorganiza preferências, travando alianças e encurtando o espaço para candidatos associados ao governo Lula e ao petismo no estado. A percepção de um Rio “dominado por bandidos” contamina a leitura de governo, a avaliação de partidos e o humor geral do eleitor.
A nova rodada da Pesquisa Prefab mostra que o eleitor fluminense ainda não está decidido — está desconfiado. A inclusão de Rodrigo Pimentel, Felipe Cury e Ítalo Marsili aparece justamente como teste da capacidade de surgirem novas forças em um cenário em que:
- Paes lidera com ampla vantagem,
- a rejeição ao petismo e ao governo Lula limita arranjos e alianças,
- o medo do crime domina o humor social,
- e o eleitor busca alternativas, mas ainda não escolheu nenhuma.
A Pesquisa Prefab ouviu 2 mil eleitores em entrevistas presenciais realizadas em todas as regiões do estado, ao longo de cinco dias (entre os dias 19 e 23 de novembro). A margem de erro é de 2,19 pontos percentuais.