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Polícia Federal faz nova busca contra Cláudio Castro após aportes de R$ 3 bilhões ligados ao Banco Master

Claudio Castro acompanhando operação – Reprodução

O ex-governador Cláudio Castro voltou a ser alvo da Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26). Onze dias depois de ter a casa vasculhada na Operação Sem Refino, ele recebeu novamente agentes da PF em seu apartamento, na Barra da Tijuca, dentro de uma apuração sobre investimentos do governo estadual em fundos ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.

Ao todo, a nova fase da operação cumpre dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em Brasília. As ordens foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A investigação mira aportes feitos durante a gestão Cláudio Castro. Segundo a Polícia Federal, quase R$ 3 bilhões foram transferidos pelo governo estadual, em diferentes momentos, a instituições ligadas ao Banco Master. O dinheiro saiu sobretudo do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de 235 mil aposentados e pensionistas do estado, e da Cedae, estatal que produz água para boa parte do Rio.

Nova operação tem ligação com o caso Rioprevidência

A busca desta terça-feira é um desdobramento de outra investigação da PF, a Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro. Aquela ação terminou com a prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência.

Na época, a PF apurava investimentos da autarquia em letras financeiras de alto risco do Banco Master. Os aportes investigados foram realizados entre outubro de 2023 e julho de 2024 e somavam cerca de R$ 970 milhões.

Agora, a nova etapa apura aplicações de R$ 2,01 bilhões feitas a partir de julho de 2024 em fundos de investimento do mesmo banco. Somados, os valores investigados chegam a cerca de R$ 3 bilhões.

A operação anterior também mirou outros nomes da antiga direção do Rioprevidência, como os ex-diretores de investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal.

Um dos pontos investigados é a suspeita de que os aportes foram feitos sem aprovação formal do comitê de investimentos do fundo estadual. As letras financeiras já haviam sido classificadas como de risco pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a apuração, os investimentos não tinham cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e teriam ignorado critérios básicos de segurança.

Compliance Zero já havia prendido Daniel Vorcaro

A operação desta terça-feira ocorre no âmbito da Compliance Zero, investigação federal que já havia levado à prisão de Daniel Vorcaro em março. Ele era dono do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central por indícios de fraude e outras irregularidades.

Além do apartamento de Cláudio Castro, os policiais federais cumprem mandados em outros nove endereços no Rio e em Brasília.

Castro também foi alvo no caso Refit

No último dia 15, Cláudio Castro já havia sido alvo de busca e apreensão em outra operação da Polícia Federal. Naquele caso, a ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, também do STF, dentro de uma investigação sobre suposto esquema de fraudes fiscais e ocultação de patrimônio envolvendo a refinaria Refit.

A Operação Sem Refino cumpriu 16 mandados no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal. A Justiça também autorizou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos ligados aos investigados.

Além de Cláudio Castro, a apuração mirou o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, incluído na difusão vermelha da Interpol a pedido da Justiça. Também foram alvos o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual, o ex-procurador Renan Saad e o desembargador afastado Guaraci Vianna.

Segundo as investigações, o grupo teria usado uma estrutura societária complexa para ocultar recursos fora do Brasil e proteger patrimônio de fiscalizações. O inquérito também fez conexões com a ADPF das Favelas, ação no STF que discute a atuação policial e a expansão do crime organizado no Rio de Janeiro.

A Justiça ainda determinou o afastamento de sete agentes públicos suspeitos de favorecer a manutenção das atividades da refinaria em troca de vantagens indevidas.

Cláudio Castro renunciou ao governo do estado em março, na véspera do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico. Mesmo assim, ele já indicou que pretende disputar as eleições para o Senado em outubro sub judice.

Com informações do g1 e Tempo Real.

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