
Desde quando o inverno chegou, os moradores do Rio de Janeiro passaram a sentir na pele as baixas temperaturas. Foram muitas notícias de recordes de frio. A mais recente é sobre os últimos meses de outubro. O DIÁRIO DO RIO ouviu especialistas para entender os motivos dessa friaca toda.
O principal motivo está diretamente relacionado ao fenômeno meteorológico La Niña.
“Esse fenômeno facilita o desprendimento de massas de ar polar que vêm da Antártica e se dirigem para o sul e sudeste do Brasil. No ano passado, por exemplo, estávamos sob influência do El Ninõ, que traz massas de ar mais quentes para cá, então sentimos essa diferença“, explicou Luciana Prado, professora do departamento de oceanografia física e meteorologia da Uerj.
O La Niña é caracterizado pela diminuição das temperaturas das águas do Oceano Pacífico, resultando em outras alterações climáticas, como mudanças nos padrões de precipitação, temperatura atmosférica e ventos.
Cleyton Martins, professor do mestrado profissional em ciências do meio ambiente da universidade Veiga de Almeida (UVA) reforça: “É importante dizer que a intensificação desses fenômenos, como o El Niño e La Niña, pode estar correlacionada com as mudanças climáticas, o que pode provocar, junto com outros fatores, temperaturas cada vez mais extremas (tanto calor quanto frio)”.
Nesta época do ano em que estamos, outubro quase novembro, geralmente já está calor no Rio de Janeiro. Às vezes bastante calor, inclusive. A permanência do frio se dá por conta do fenômeno La Niña, frisam os professores.
“Mas é importante dizer que estamos na primavera, que é uma estação de transição. Não saímos direto do inverno para o verão. Na primavera é absolutamente comum termos dias quentes e frios“, pondera a professora Luciana Prado.
E quando o frio vai passar? Os professores explicam que a tendência nos próximos dias é a temperatura esquentar, com queda nas madrugadas. Assim, aos poucos, as semanas com termômetros em baixa e ventos gelados vão acontecer cada vez menos em 2025.
Entretanto, “com a manutenção do fenômeno La Niña, outras frentes frias podem chegar no país até fevereiro de 2026, ainda que não tão intensas”, destaca Cleyton Martins.
Há quem diga que quando o calor chegar será forte – em uma relação de proporção com o atual frio. Do ponto de vista cientifico essa ideia faz sentido? Os professores explicam que não. “O que tem determinado altas ou baixas temperaturas diferentes do padrão são as intensidades de fenômenos como El Niño e La Niña, por exemplo“, resume Luciana Prado.