
A Prefeitura do Rio inaugurou nesta sexta-feira (13/2) o Bosque do Samba, novo espaço verde implantado na Avenida São Francisco Xavier, embaixo do viaduto da Mangueira, na Zona Norte. São 3.700 metros quadrados de área arborizada, numa entrega que abre oficialmente o programa Bosques Cariocas e já chega com cara de Carnaval: o local foi escolhido para lançar a campanha Folia Verde 2026.
O Bosque foi pensado como um espaço de valorização da cultura popular e da memória do samba. A proposta é homenagear personalidades e agremiações que participaram da edição anterior da Folia Verde. Em 2025, segundo o balanço divulgado, a campanha resultou na coleta de mais de 40 toneladas de resíduos durante o período carnavalesco.
Além do simbolismo cultural, a prefeitura vincula a entrega a uma agenda ambiental. A ideia é ampliar áreas verdes urbanas para enfrentar ilhas de calor e adaptar a cidade às mudanças climáticas. Durante a inauguração, crianças de escolas de samba mirins participaram do plantio simbólico de mudas e representantes de blocos apadrinharam árvores já plantadas.
Entre as espécies citadas estão pau-brasil, urucum, ipê-amarelo, ipê-branco e jacarandá, além de bromélias e outras plantas ornamentais, usadas para recomposição paisagística do espaço. O presidente da Fundação Parques e Jardins, Ricardo Pinheiro, acompanhou a cerimônia.
A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, relacionou o plantio de árvores ao conforto térmico no Rio. “Isso nos ajuda a ter verões mais agradáveis e confortáveis e um Rio de Janeiro mais acolhedor para as crianças do futuro. Viva a folia, viva o Carnaval e viva o Rio de Janeiro mais sustentável”, disse Tainá de Paula.
Folia Verde 2026
A campanha Folia Verde, conduzida pela SMAC, volta com o discurso de transformar o Carnaval carioca em referência de sustentabilidade. Para 2026, a prefeitura prevê cerca de 450 profissionais mobilizados, entre catadores de recicláveis e integrantes do programa Guardiãs das Matas, formado por lideranças comunitárias femininas.
As ações vão acontecer em blocos de rua e também nos desfiles da Marquês de Sapucaí e da Estrada Intendente Magalhães, com foco em reduzir geração de resíduos e emissões de gases de efeito estufa. O histórico citado no material mostra uma curva de crescimento na coleta: 12 toneladas em 2024 e 40 toneladas em 2025.
A campanha também prevê compensação ambiental por meio do programa Planta+Rio, com plantio de espécies nativas da Mata Atlântica, recuperação de áreas verdes e ações de sensibilização sobre arborização urbana e soluções baseadas na natureza.
Equipes da Folia Verde devem atuar junto aos foliões com educação ambiental, quizzes e distribuição de brindes. A iniciativa envolve pelo menos 25 blocos — incluindo megablocos — que recebem o Selo Folia Verde.
Bosques Cariocas
O programa Bosques Cariocas mira ampliar cobertura vegetal e combater ilhas de calor por adensamento florestal com espécies típicas da Mata Atlântica. O Bosque do Samba é a primeira entrega e tenta juntar duas agendas que raramente andam lado a lado no mesmo lugar: ambiente e cultura, usando o espaço urbano como ferramenta de resposta aos impactos da crise climática, sobretudo em áreas mais vulneráveis.