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Programa de reflorestamento sofre com cortes de participantes, redução nas bolsas e falta de equipamentos

Uma manifestação foi realizada nesta sexta-feira, em frente à Prefeitura do Rio

O Mutirão Reflorestamento, da Secretaria de Meio Ambiente e Clima (SAMC), sofreu 14 cortes de profissionais em frentes de ação em várias áreas da cidade, como os morros do Borel (Tijuca), Sereno (Penha) e a Serra da Posse (Campo Grande). Ao todo, 120 participantes foram desligados do programa: eram 445, ficaram 325 mutirantes.

Fomos comunicados da redução de frentes de trabalho, e alguns com 30 anos de atuação no programa foram desligados”, critica um mutirante, sob condição de anonimato. “Houve uma tentativa de redução em (maio de) 2023, mas como o assunto ganhou as redes sociais, e provocou muitas críticas, acabaram voltando atrás. É sempre a mesma desculpa: a Prefeitura diz não ter recursos”.

Relatos aos quais a reportagem do DIÁRIO DO RIO teve acesso indicam outro problema além dos cortes. As bolsas-auxílios para encarregados e serventes foram reduzidas em 23%. Além disso, outra questão é a ausência de equipamentos de proteção individuais (EPI).

“Eu, como encarregado, recebia uma bolsa de R$ 1.746,78, com um adicional por produtividade, e agora R$ 1.343 a partir deste mês de setembro. O servente recebia R$ 1.008 e agora vai ter que se desdobrar para receber R$ 775. É bastante triste e revoltante saber que a prioridade da Prefeitura nunca é um projeto de baixo custo, mas com enorme ganho socioambiental“, disse outro participante do programa que preferiu não ser identificado na reportagem.

Imagem: Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro

Os cortes nas ajudas de custo dos mutirantes – que além de plantar são importantes no combate a incêndios e na proteção das florestas – já estão em vigor.

“O programa não é só para reflorestar morros e encostas da cidade. O Mutirão também atua na retirada do capim. Isso ajuda a diminuir as chances da vegetação pegar fogo em certas épocas do ano“, informou um mutirante à reportagem do DIÁRIO DO RIO.

Desde 1986, quando começou no Morro São José Operário, na Praça Seca, o Mutirão Reflorestamento já plantou mais de 10 milhões de mudas em encostas cariocas.

O que diz a Secretaria de Meio Ambiente

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima esclarece que o programa Mutirão Reflorestamento atua num total de 91 frentes e que 12 serão desmobilizadas, cuja maioria delas estão sendo desativadas em decorrência da violência na região onde estão localizadas.

Por se tratar de um programa socioambiental a avaliação de corte foi feita caso a caso e seguiu uma metodologia que avaliou, prioritariamente, a consolidação da frente (área) já recuperada e critérios socioeconômicos. Dessa forma, a Secretaria segue realinhando o programa para os desafios do reflorestamento na cidade.

Contudo, atenta aos mutirantes que foram desligados, a Smac está analisando a possibilidade de migração para outros programas da Secretaria.

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