Na última fase do projeto Curta Periferias, realizado na Rocinha, jovens talentos se reuniram para exibir curtas-metragens de um minuto, todos produzidos com a câmera de seus celulares. A iniciativa visa capacitar os moradores do Complexo da Maré e áreas vizinhas a explorar o audiovisual de maneira independente, utilizando a criatividade e os recursos disponíveis para retratar a vida nas periferias, desafiando estigmas e preconceitos.
Os participantes do Complexo da Maré terão a oportunidade de se aprofundar em uma formação que abrange desde os conceitos básicos do audiovisual até a produção de um curta-metragem completo. O curso inclui a compreensão das diversas etapas de criação, como elaboração de roteiros, técnicas de filmagem e edição de vídeo utilizando ferramentas gratuitas. Essa formação é voltada para jovens entre 15 e 35 anos, com inscrições abertas até 28 de julho, que podem ser realizadas por meio de um formulário online. Alternativamente, os interessados podem se dirigir à sede da Navezinha Carioca da Maré, onde poderão preencher o formulário presencialmente.
A iniciativa, promovida pela Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, em parceria com a RioFilme, a Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), o Bela Maré e o Observatório de Favelas, conta agora com a colaboração da Firjan Sesi. Essa nova parceria amplia a atuação do Curta Periferias ao integrar conceitos do projeto Cine SESI, que fomentam o cineclubismo e a produção audiovisual nas escolas. O programa foi beneficiado com recursos do Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), através do Edital Conexão SESI 2026, que visa fortalecer a formação, a expressão cultural e a inserção profissional de jovens, valorizando narrativas das periferias e promovendo o protagonismo juvenil.
O secretário municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, Gabriel Medina, enfatizou a importância da criatividade nas comunidades, destacando o cinema como uma ferramenta essencial para a transformação social. Ele ressaltou que o projeto tem o potencial de criar ecossistemas de inovação nas favelas, promovendo autonomia e desenvolvimento local. Medina também afirmou que o Curta Periferias está se expandindo, com o Complexo da Maré sendo a próxima comunidade a ser beneficiada.
Leonardo Edde, diretor-presidente da RioFilme, reforçou o caráter inclusivo do projeto, afirmando que a Prefeitura do Rio está investindo em um desenvolvimento territorial que une formação, tecnologia e inclusão no audiovisual. Ele comentou sobre a importância de capacitar os territórios para que não sejam apenas consumidores de tecnologia, mas protagonistas na contação de suas próprias histórias e na geração de renda.
Vinicius Mano, gerente de Educação Básica da Firjan SESI, reiterou o compromisso da instituição em aumentar as oportunidades para jovens no setor audiovisual. Ele destacou que a parceria com o Curta Periferias visa não apenas a formação de novos criadores, mas também a valorização das narrativas periféricas e o fortalecimento da indústria criativa local.
Os organizadores do Curta Periferias continuarão a priorizar a diversidade e a inclusão em seu processo seletivo, buscando dar voz a grupos historicamente marginalizados, como pessoas negras, mulheres, indígenas, LGBTQIAPN+ e jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
A primeira edição do projeto foi realizada na Rocinha, onde o curta “Corre Cria”, de Walter Alves Barbosa Junior, foi o grande vencedor. Isabella do Anjos Alvarez e Maria Clara da Silva França também foram premiadas em segundo e terceiro lugares, respectivamente. No encerramento do Curta Periferias na Rocinha, sete jovens formandos apresentaram seus curtas, entre eles Miguel Almeida e Luiz Fernando Santos Alves, que mostraram suas produções criativas ao público.
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