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Quando o barrete encontra o pandeiro: o Cardeal abençoou o samba no coração do Carnaval

Dom Orani visita a Cidade do Samba e abençoa os estandartes das escolas, levando a imagem de São Sebastião ao berço do samba / Foto: ArqRio

Num Rio de Janeiro que vive de símbolos, gestos e encontros improváveis, a cena chamou atenção e arrancou sorrisos: em plena Cidade do Samba, entre barracões, fantasias e casais de mestre-sala e porta-bandeira, o cardeal-arcebispo Dom Orani João Tempesta caminhava com naturalidade, aspersor de água benta na mão e olhar atento, como quem reconhece naquele espaço algo profundamente carioca. Não se tratava de folclore nem de concessão moderna, mas de um gesto antigo, quase ancestral, de respeito às tradições populares que moldaram a alma da cidade.

A visita e a benção cardinalícia dada, acompanhada da Imagem Peregrina de São Sebastião — padroeiro do Rio e presença constante tanto nas igrejas quanto na memória afetiva do povo — levou à Cidade do Samba um clima de serenidade e alegria. Dom Orani abençoou os barracões e os estandartes das escolas de samba, conversou com integrantes das agremiações e deixou palavras de incentivo num momento decisivo de preparação para o próximo Carnaval. O gesto foi simples, mas carregado de significado: reconhecer o samba como expressão legítima da identidade carioca, nascida do povo, das ruas e da convivência. Os estandartes das escolas rememoram os antigos estandartes das procissões e irmandades católicas que construíram a civilização carioca.

Recebido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, o Cardeal – reconhecido como uma das mais populares figuras da cidade – reafirmou algo que o Rio sempre soube, mas às vezes esquece: fé e festa nunca foram opostas por aqui. Desde as procissões coloniais, passando pelos ranchos, cordões e pelas primeiras escolas de samba, o sagrado e o profano sempre dividiram o mesmo chão, a mesma música, o mesmo calendário emocional da cidade.

Ao circular entre porta-bandeiras, adereços e ensaios, Dom Orani não “invadiu” o território do Carnaval; ao contrário, pareceu apenas reconhecer algo que já estava ali. Como se dissesse, sem discursos longos, que o Rio é feito dessas sobreposições: igreja e rua, altar e avenida, oração e tamborim, todos com a graça de Deus. Um lembrete elegante de que respeitar a cultura popular é também respeitar a história viva da cidade.

Para o presidente da Liesa, Gabriel David, a visita teve um significado especial. “A presença de Dom Orani vai além da bênção simbólica: ela reconhece o Carnaval como um espaço legítimo de encontro, diversidade, diálogo e paz. É nesse clima de união e acolhimento que a nossa festa cresce, se fortalece e continua emocionando o povo do samba”.

Num tempo em que o diálogo anda raro, a imagem do cardeal na Cidade do Samba funciona quase como um respiro. Mostra que é possível celebrar diferenças, valorizar tradições e compreender que o Carnaval, antes de ser espetáculo, é identidade, trabalho, fé e pertencimento. No Rio, afinal, até a bênção pode sair no ritmo do samba.

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