
mudaram de forma brusca o jogo da sucessão estadual. O que até pouco tempo parecia um caminho razoavelmente desenhado para o grupo de Cláudio Castro agora virou um terreno incerto. E, diante disso, voltou a circular com força uma ideia que parecia perder tração: a de o governador não renunciar ao cargo para disputar o Senado.
No Palácio Guanabara, a avaliação é de que a decisão de Fux desmontou a estratégia montada pelos governistas para a transição. Dois pontos pesaram mais. O primeiro foi a exigência de prazo de seis meses para desincompatibilização. O segundo, ainda mais sensível, foi a adoção do voto secreto na eleição indireta, em vez de votação aberta e nominal.
Na prática, isso reduz bastante a capacidade de controle político sobre a base. Com voto aberto, o comando do processo seria mais previsível. Com voto secreto, a margem para traição cresce, os acordos ficam mais frágeis e a chance de surpresa aumenta muito.
É esse ponto que mais assusta o grupo de Castro. Porque a eleição de um aliado para comandar o Palácio Guanabara até dezembro era vista como peça importante do projeto eleitoral do governismo. Sem essa garantia, a lógica muda.
Seria ruim para Douglas Ruas, que tenta se consolidar como nome do PL para a disputa pelo governo do estado. E seria pior ainda para os planos nacionais de Flávio Bolsonaro, que conta com um palanque organizado no Rio para sua própria estratégia política.
Por isso, até Flávio, segundo aliados, já começou a ver com menos resistência a hipótese de Cláudio Castro permanecer no cargo. Não por convicção institucional, mas por cálculo político. Diante de um cenário em que a sucessão indireta ficou menos controlável, manter Castro no posto pode parecer o caminho menos arriscado.
Só que esse raciocínio esbarra num problema grande, e nada teórico: o processo do Ceperj no TSE.
Com o placar já em 2 a 0, o caso avança em direção a uma possível cassação de Cláudio Castro. Ou seja, a alternativa de permanecer no cargo também está longe de ser uma solução tranquila. Na verdade, o governador ficou preso entre dois riscos. Se renuncia, entrega o futuro a uma eleição indireta agora muito mais imprevisível. Se fica, segue exposto a um julgamento que pode encerrar seu mandato de forma ainda mais traumática.
No fim das contas, a decisão de Luiz Fux não apenas alterou regras. Ela mexeu no coração da estratégia política do grupo de Castro. E, num ambiente já contaminado por disputa interna, medo de traição e insegurança jurídica, o que era plano virou improviso.
Com informações de Berenice Seara/Tempo Real.