O deputado federal Reimont (PT), candidato à reeleição pelo Rio de Janeiro, afirmou ter denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) um vídeo produzido com inteligência artificial e utilizado por Flávio Bolsonaro (PL) no lançamento de sua candidatura à Presidência da República. A declaração foi dada durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO.
Segundo Reimont, o material recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro para produzir uma manifestação que não teria sido gravada por ele. Para o parlamentar, conteúdos desse tipo podem confundir os eleitores e comprometer a legitimidade da disputa eleitoral.
— “Recentemente, denunciei à PGR um vídeo usado pelo Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PL, no lançamento da campanha. Acho que é minha obrigação fazer isso, porque precisamos coibir o primeiro sinal, que é um sinal criminoso, para que ele não avance” — afirmou Reimont.
O deputado ressaltou que não é contrário à tecnologia ou ao uso da inteligência artificial. A preocupação, segundo ele, está na criação de vídeos, áudios e imagens que atribuem declarações falsas a pessoas reais.
— “O maior problema é ludibriar as pessoas, enganar as pessoas e levá-las ao erro” — declarou Reimont.

Regras para a inteligência artificial nas eleições
Reimont defendeu regras mais rigorosas para impedir o uso de deepfakes nas campanhas eleitorais. Para ele, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional precisam definir responsabilidades e punições.
Na avaliação do deputado, a resposta deve ser rápida. As ferramentas usadas para manipular imagens e vozes estão mais acessíveis e conseguem produzir materiais difíceis de identificar.
O parlamentar argumentou que as punições não devem atingir apenas os responsáveis pela criação dos conteúdos. Candidatos, partidos, campanhas e plataformas que divulguem materiais manipulados também deveriam ser responsabilizados quando houver tentativa de enganar o eleitor.
— “Se não coibirmos no início, as pessoas acharão que está tudo certo e, daqui a pouco, teremos cada vez mais crimes cometidos” — alertou Reimont.
Trabalho escravo doméstico
Além do uso da inteligência artificial nas eleições, Reimont destacou a aprovação de uma lei de sua autoria voltada às vítimas do trabalho escravo doméstico.
A legislação determina que o poder público ofereça acolhimento e assistência às trabalhadoras resgatadas. O objetivo é evitar que mulheres retiradas de situações de exploração retornem ao mesmo ambiente por falta de moradia, renda, escolaridade ou qualificação profissional.
Durante a entrevista, o deputado citou mulheres levadas ainda crianças de cidades do interior para trabalhar em casas de famílias dos grandes centros. Algumas passam décadas sem receber salários, frequentar escolas ou construir vínculos fora do local onde são exploradas.
— “O Estado que não teve competência para impedir que ela fosse escravizada agora precisa ter a obrigação de acolhê-la para que não volte à cena da escravidão” — disse Reimont.
O parlamentar afirmou que a proposta nasceu do diálogo com o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Rio de Janeiro. Ele considera a aprovação da medida uma das principais realizações de seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados.
Reimont também defendeu a convocação de mais auditores fiscais do Trabalho. Esses profissionais fiscalizam ambientes de trabalho e participam das operações de resgate de pessoas submetidas a condições análogas à escravidão.
Profissionais da primeira infância
Outra lei destacada por Reimont reconhece como integrantes do magistério os profissionais que trabalham com a primeira infância em creches e escolas.
Segundo o deputado, o desafio agora é garantir que as prefeituras implementem a legislação, com o enquadramento correto dos trabalhadores e o reconhecimento dos direitos da categoria.
Para o candidato, a valorização desses profissionais melhora as condições de trabalho e a qualidade da educação oferecida às crianças nos primeiros anos de vida.
A proteção da infância continuará entre as prioridades de Reimont em um eventual segundo mandato. O deputado defendeu políticas de combate à violência, ao abuso, à exploração e ao abandono de crianças e adolescentes.
Emendas para restauração de igrejas
Reimont também falou sobre a destinação de emendas parlamentares para a recuperação do patrimônio histórico e religioso do Rio de Janeiro.
Ex-padre e integrante de uma comunidade católica, o deputado lembrou que parte do patrimônio histórico brasileiro está ligada às igrejas e às obras de arte sacra. Por isso, considera legítimo usar recursos públicos na preservação de construções e objetos que ajudam a contar a história do país.
Entre os locais citados estão igrejas da Arquidiocese do Rio de Janeiro e das dioceses de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. O parlamentar também mencionou a Antiga Sé, no Centro do Rio, palco de acontecimentos ligados à monarquia brasileira.
— “A obra sacra é da Igreja, mas também não é apenas dela. O Brasil precisa preservar sua história e se comprometer com o restauro das artes sacras” — afirmou Reimont.
Segundo o deputado, os recursos não têm finalidade religiosa, mas cultural e patrimonial. As peças restauradas permaneceriam protegidas e acessíveis ao público, sem possibilidade de venda para custear a conservação.
Ambulantes e população em situação de rua
A defesa dos trabalhadores ambulantes e da população em situação de rua também foi apresentada como uma das marcas da trajetória política de Reimont.
O deputado foi vereador do Rio durante quatro mandatos, entre 2009 e 2022. Ele contou que, no início do primeiro mandato, foi chamado para acompanhar um grupo de ambulantes levado a uma delegacia após uma ação da Guarda Municipal.
Depois do episódio, passou a trabalhar na atualização da legislação municipal sobre o comércio ambulante. O mandato também participou da criação de normas para artistas de rua e de políticas destinadas às pessoas sem moradia.
Reimont criticou ações de ordenamento que retiram trabalhadores das ruas sem oferecer alternativas de emprego e renda. O parlamentar citou operações contra ambulantes em Copacabana e afirmou que algumas famílias passaram a depender de doações de alimentos.
Para ele, a política pública precisa conciliar a organização dos espaços públicos, o direito ao trabalho e a proteção social.
Combate à precarização profissional
Durante a entrevista, o deputado também destacou um projeto contra a contratação de engenheiros, geólogos e geógrafos como analistas.
Segundo Reimont, algumas empresas registram esses profissionais em cargos genéricos e pagam remunerações menores, mesmo quando exigem atividades ligadas à formação especializada.
A proposta ficou conhecida pelo lema “engenheiro, sim; analista, não” e busca impedir o desvio de função e a precarização dessas categorias.
O deputado afirmou ter participado da elaboração do parecer e das articulações para que o texto avance nas comissões da Câmara dos Deputados.
Reindustrialização do Rio de Janeiro
Para um eventual segundo mandato, Reimont colocou o desenvolvimento econômico do Estado do Rio entre suas prioridades.
O candidato criticou o processo de desindustrialização fluminense e os resultados das últimas administrações estaduais. Segundo ele, o Rio possui universidades, institutos federais e centros de pesquisa capazes de sustentar uma nova política industrial.
O deputado defendeu maior integração entre ciência, tecnologia, educação e geração de empregos. Também afirmou que os 46 representantes fluminenses na Câmara precisam atuar juntos na defesa dos interesses do estado.
— “Se o Rio de Janeiro está capenga, o avanço do Brasil é capenga. Se o Rio está voando, o avanço é voo” — declarou Reimont.
Taxação das grandes fortunas
O candidato defendeu ainda a taxação das grandes fortunas e dos rendimentos de pessoas que recebem milhões de reais por meio de lucros e dividendos.
Reimont argumentou que a medida ajudaria a financiar políticas de educação, renda, habitação e proteção social. Para o deputado, a concentração de riqueza não pode ser tratada como natural em um país com milhões de pessoas em situação de pobreza.
O parlamentar também defendeu a eleição de uma bancada progressista maior na Câmara dos Deputados. O objetivo seria ampliar a sustentação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovar propostas como a PEC da Segurança Pública e a criação do Ministério da Segurança Pública.
Trajetória de Reimont
Nascido em Minas Gerais, Reimont deixou a casa dos pais aos 15 anos para ingressar no seminário. Estudou Filosofia, Teologia e Administração, foi ordenado padre e exerceu o sacerdócio até 2002.
Depois de deixar a vida religiosa, constituiu família e trabalhou como professor. É doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com pesquisa sobre a forma como a cidade trata os pobres, em especial a população em situação de rua.
Foi eleito vereador pela primeira vez em 2008 e conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2022. Em 2026, disputa a reeleição pelo PT.
— “O eleitor pode esperar compromisso, luta pela democracia, pela igualdade, defesa da educação e um mandato comprometido com o Estado do Rio de Janeiro” — concluiu Reimont.