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Relatórios, denúncias e fiscalização: o que se sabia antes do incêndio no Shopping Tijuca

Imagem do subsolo do Shopping Tijuca três dias após incêndio de janeiro deste ano. Foto: Divulgação Corpo de Bombeiros

O incêndio de grandes proporções que atingiu o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, na noite de sexta-feira (02/jan), e deixou dois trabalhadores mortos e três feridos, vai além de uma fatalidade. Documentos, denúncias anteriores e análises técnicas indicam uma sucessão de falhas que agora recaem sobre o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), a administração do centro comercial e a empresa Bell’Art, loja de decoração onde as chamas teriam começado, no subsolo.

As vítimas fatais foram o supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva, ambos integrantes da equipe interna que, dias antes, haviam registrado irregularidades graves no local. O caso reacendeu o debate sobre prevenção de incêndios em grandes empreendimentos e pode resultar na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Relatórios internos alertaram sobre os riscos

Seis dias antes do incêndio, um relatório assinado por Anderson e Emellyn já alertava para uma série de problemas na loja Bell’Art. Entre os pontos listados estavam detector de fumaça desmontado, fiações elétricas precárias presas com fita isolante em estruturas de MDF, uso excessivo de extensões com múltiplas tomadas e armazenamento de materiais altamente combustíveis em áreas técnicas.

O documento também mencionava a utilização irregular de casas de máquinas como depósitos, detectores de fumaça inoperantes em outros pontos do subsolo e luminárias de emergência sem fixação adequada. Para especialistas, o conjunto de falhas comprometeu tanto a detecção precoce, quanto a resposta inicial ao fogo.

Denúncias ao CREA-RJ sob escrutínio

O CREA-RJ informou ter recebido ao menos quatro denúncias relacionadas a obras e irregularidades no Shopping Tijuca, além de um comunicado sobre um princípio de incêndio registrado em dezembro de 2024, poucas semanas antes da tragédia. Segundo o conselho, houve ações de fiscalização e envio de ofício à administração do shopping solicitando informações sobre as medidas de segurança adotadas.

O órgão destacou ainda que sistemas de prevenção e combate a incêndio, como alarmes, sprinklers, portas corta-fogo e extintores, devem estar vinculados a uma Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), emitida por engenheiro habilitado. A investigação agora apura se as fiscalizações foram suficientes e se houve falhas na exigência ou acompanhamento dessas responsabilidades técnicas.

Shopping aponta responsabilidade do lojista

Em nota, a administração do Shopping Tijuca afirmou colaborar com as autoridades e disse que o relatório interno dos dois funcionários foi entregue à direção em 27 de dezembro, e que a loja Bell’Art teria sido formalmente notificada dois dias após (29/dez) e orientada a corrigir as irregularidades.

Segundo o shopping, as falhas eram de natureza operacional e deveriam ser corrigidas diretamente pelo lojista. A administração alegou não ter havido tempo hábil para verificar as adequações nem prerrogativa legal para interditar a loja antes do incêndio.

O que já foi feito e o que se sabe até agora

O fogo começou por volta das 18h, no subsolo, possivelmente em um aparelho de ar-condicionado da loja de decoração, segundo informações preliminares. Cerca de sete mil pessoas foram evacuadas, vias no entorno foram interditadas e o trabalho dos bombeiros se estendeu por todo o fim de semana.

Após perícia, a Defesa Civil determinou a interdição do subsolo e de outras 17 lojas. O shopping segue parcialmente fechado, com previsão de reabertura para a próxima sexta-feira (16/jan). Enquanto isso, a Polícia Civil investiga as causas e eventuais responsabilidades.

CPI volta ao radar da Alerj

Diante do cenário, o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que presidiu a CPI dos Incêndios em 2022, articula a reinstalação da comissão, agora com foco no caso do Shopping Tijuca. O parlamentar já enviou ofícios ao Corpo de Bombeiros, questionando a regularidade do certificado de aprovação e dos projetos de pânico e evacuação, e à Polícia Civil, solicitando informações detalhadas sobre a investigação.

Caso a CPI seja instalada, gestores da empresa Alas, administradora do shopping, além de representantes do CREA-RJ e da loja Bell’Art, poderão ser chamados a prestar esclarecimentos. Para Knoploch, a tragédia evidencia a necessidade de revisar protocolos de segurança e fiscalização em grandes centros comerciais do estado.

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